Lula promove general que atuou no Paraguai em meio a crise diplomática
Presidente Lula concede promoção honorária a brigadeiro Sampaio em meio a crise diplomática com o Paraguai.
Em um decreto assinado na quinta-feira (30) e publicado no Diário Oficial da União na sexta-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu a promoção honorária post mortem ao brigadeiro Antônio de Sampaio, que agora será referenciado pela patente de marechal. Sampaio foi um dos principais comandantes brasileiros durante a Guerra do Paraguai.
A homenagem ocorre em um contexto de crise diplomática entre Brasil e Paraguai. No dia anterior, o Congresso paraguaio aprovou uma moção de repúdio ao pronunciamento de Lula, que, durante uma cerimônia, mencionou que o “Paraguai resolveu invadir o Brasil” ao relembrar o conflito.
No mesmo dia da assinatura do decreto, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção para entregar uma nota de repúdio, que expressa a insatisfação do Legislativo paraguaio. O documento também requer esclarecimentos sobre as declarações do presidente brasileiro e solicita a devolução dos “troféus de guerra” que foram levados pelo Exército Brasileiro após o fim do conflito.
Nascido em 1810, Antônio de Sampaio ingressou no Exército aos 20 anos e participou de diversos conflitos significativos do período imperial, incluindo a Guerra dos Farrapos e a Guerra contra Oribe e Rosas. Durante a Guerra do Paraguai, em 1865, foi promovido a general-brigadeiro e assumiu o comando da Divisão Encouraçada, uma unidade crucial para o Exército brasileiro na campanha.
No ano seguinte, Sampaio participou da Batalha de Tuiuti, que é considerada a mais sangrenta da história da América do Sul. Durante essa batalha, foi gravemente ferido e faleceu 43 dias depois, a bordo de um navio-hospital. Em reconhecimento à sua bravura, ele foi consagrado patrono da Arma de Infantaria do Exército Brasileiro.
A crise atual entre Brasil e Paraguai também reflete divergências históricas sobre as responsabilidades e a cronologia da Guerra do Paraguai. O discurso de Lula reforça a narrativa brasileira, que atribui a responsabilidade pelo conflito ao governo paraguaio.
A Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito internacional da história da América do Sul, ocorrendo entre 1864 e 1870. Este episódio traumático deixou um legado profundo na memória paraguaia, com estimativas de aproximadamente 300 mil mortes no Paraguai e cerca de 100 mil brasileiros mortos.
As disputas políticas e territoriais que motivaram o conflito giravam em torno do controle da Bacia do Rio da Prata. A versão tradicional da historiografia brasileira aponta que a guerra começou em novembro de 1864, quando forças paraguaias capturaram o presidente da província de Mato Grosso. Para essa interpretação, a responsabilidade inicial recai sobre o Paraguai, que estava em uma política externa expansionista.
Por outro lado, a perspectiva paraguaia argumenta que a guerra começou antes, em agosto de 1864, com a intervenção militar do Brasil no Uruguai, o que foi visto como uma ameaça ao equilíbrio regional e uma imposição imperialista.
