Jornalista Luiz Reni Marques falece

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Jornalista Luiz Reni Marques falece aos 72 anos após luta contra o câncer.

Aos 72 anos, o jornalista Luiz Reni Marques faleceu na manhã desta sexta-feira, 31, após um longo tratamento paliativo em decorrência de um câncer em fase de metástase. Sua trajetória no jornalismo brasileiro foi marcada por diversas contribuições significativas e um legado que perdurará.

A cerimônia fúnebre de Reni ocorrerá no sábado, 1°, na sala 02 do Crematório Metropolitano de Porto Alegre. A visitação começará às 10h30, e a despedida está programada para às 16h30.

Nascido em Porto Alegre em 1954, Reni construiu uma sólida carreira no jornalismo, atuando como repórter em veículos de grande circulação, como Zero Hora, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e Folha de S.Paulo. Sua experiência também incluiu a Rádio Gaúcha e a função de assessor de imprensa durante a Assembleia Nacional Constituinte.

Além de seu trabalho nas redações, Reni dedicou parte de sua vida ao ensino, lecionando Redação Jornalística na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Ele foi membro ativo do Clube de Editores e Jornalistas de Opinião, contribuindo para a cena cultural e intelectual do estado.

‘Confraria do Alemão’

Reni foi um dos fundadores da ‘Confraria do Alemão’, um grupo de jornalistas que se reúne semanalmente no Bar do Alexandre, em Porto Alegre. O nome da confraria faz referência ao apelido do bar, que é conhecido na região.

O jornalista Marco Poli mencionou que a ‘Confraria do Alemão’ surgiu com o objetivo de reunir veteranos do jornalismo para discutir o cotidiano e o futuro da profissão, especialmente em um momento em que os jornais enfrentam desafios significativos.

Marco também recordou a importância de Reni em sua vida pessoal e profissional, destacando como ele o ajudou a ingressar no mundo do jornalismo e a desenvolver suas habilidades em redação e edição.

Na Literatura

Reni também se destacou como autor, escrevendo romances como ‘Noite longa demais’ e ‘O último concerto de jazz’, que retrata a participação dos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. Seu livro ‘O Mar de Dentro no Continente de São Pedro’ explora a história e a importância das hidrovias no Rio Grande do Sul.

O jornalista participou do livro ‘Entre um Gole e Outro’, lançado em 2023, que reúne histórias da ‘Confraria do Alemão’. A obra conta com a colaboração de 11 jornalistas, refletindo sobre as experiências e vivências do grupo ao longo dos anos.

Em 2024, a obra ‘Entre um Gole e Outro’ terá um segundo volume, e em 2026, será lançado ‘Entre um Gole e Outro 3 – Um Tributo ao Kadão’, que homenageará o fotojornalista Kadão com relatos e fotos. No primeiro volume, Reni compartilhou sua autobiografia.

Confira o texto na íntegra:

LUIZ RENI MARQUES, por Reni

O ano de 1954 teve grandes acontecimentos. A morte do presidente Getúlio Vargas, a inauguração do Estádio Olímpico, do Grêmio e o mais importante, para mim, claro, meu nascimento, em Porto Alegre, de onde saí aos 22 anos de idade para morar em Palmeira das Missões, como funcionário do Banco do Brasil. Comecei a trabalhar aos 12 anos como entregador do Jornal do Comércio. Depois fui menor aprendiz na Mesbla e balconista da loja de discos Artes Reunidas. Sem ideia do que pretendia ser, entrei nos cursos de direito, na PUCRS e de história, na UFRGS, que interrompi durante os dois anos que morei no interior. Ao voltar fiz novo vestibular para jornalismo na Famecos, o único que concluí. Alternei por cinco anos o trabalho no banco estatal e em veículos de comunicação, por alguns meses no moribundo Diário de Notícias, depois na Rádio Gaúcha e em Zero Hora. Em 1985, escolhi entre o joio e o trigo e saí do BB. Amigos e parentes disseram que fiquei com o joio.</i

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