Inteligência Artificial e Longevidade: Uma Nova Fronteira em Projetos de Vida

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Inovações em saúde e longevidade marcam o VivaTech 2026.

O evento europeu de tecnologia VivaTech, em sua décima edição, trouxe à tona um eixo que se destacou: “Saúde e Longevidade”. A proposta não se limitou a discutir curas para doenças, mas focou na administração do envelhecimento como uma nova abordagem.

Os estandes mais impressionantes, como os da Samsung e L’Oréal, investiram em narrativas que ressaltam a importância de uma vida saudável. A Samsung apresentou seu conceito de “connected care”, que integra o Samsung Health em cinco áreas principais: sono, atividade, nutrição, saúde mental e sinais vitais. O Galaxy Watch, por exemplo, não apenas monitora a frequência cardíaca, mas também prevê riscos de desmaios, conectando o usuário a cuidados clínicos através da plataforma Xealth.

A L’Oréal, por sua vez, abordou a longevidade a partir da saúde da pele. Com a tese de que “a longevidade está na pele”, a empresa lançou sua Longevity Integrative Science e uma nuvem proprietária, a Longevity AI Cloud, que analisa mais de 260 biomarcadores para prever o envelhecimento cutâneo e os efeitos de ativos antes mesmo de um teste físico.

Além disso, a L’Oréal apresentou a tecnologia Cell BioPrint, que permite estimar a idade biológica da pele em menos de cinco minutos. A empresa também anunciou uma parceria com a Microphyt para extrair ativos dermocosméticos de microalgas, destacando a inovação na área de cuidados com a pele.

O evento também evidenciou a crescente utilização de inteligência artificial em saúde. Empresas como Insilico e Gero estão usando modelos para descobrir moléculas que atuam no envelhecimento, além de pesquisas em reprogramação epigenética, prometendo rejuvenescer células.

O discurso no setor está mudando de um foco em “antienvelhecimento” para “healthspan”, que se baseia em biomarcadores e dados concretos. Investidores e consumidores estão cada vez mais exigindo comprovações e dados, em vez de promessas vazias.

Entretanto, o evento não deixou de lado questões éticas e sociais. A desigualdade no acesso a tecnologias de saúde é uma preocupação crescente. O acesso a dispositivos e diagnósticos pode criar novas formas de desigualdade, levantando questões sobre quem terá direito a envelhecer de forma saudável.

A subjetividade do envelhecimento também foi discutida, com a transformação deste processo em um projeto gerenciável. Isso pode trazer alívio, mas também pode resultar em uma vigilância constante sobre a saúde, o que gera ansiedade e pode ser contraproducente.

A responsabilidade pelo cuidado da saúde está se deslocando do sistema de saúde para o indivíduo, que agora precisa gerenciar seu próprio healthspan. Isso pode ser libertador para alguns, mas angustiante para outros que não têm acesso a essas tecnologias.

Essas discussões são essenciais em um mundo onde a tecnologia avança rapidamente, especialmente na era da inteligência artificial. O VivaTech 2026 destacou não apenas as inovações em saúde, mas também as implicações sociais e éticas que essas tecnologias trazem, enfatizando a necessidade de um diálogo contínuo sobre o futuro da longevidade e da saúde humana.

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