Montanha de 39.000 toneladas de roupas é visível do espaço no Deserto do Atacama

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Deserto do Atacama revela montanha de roupas descartadas visível do espaço.

Uma recente imagem de satélite capturada pela empresa Skyfi no Deserto do Atacama, Chile, expõe um vasto depósito de roupas descartadas, refletindo o impacto da indústria da moda e do consumo excessivo.

Esse fenômeno não é novo, mas a visibilidade da pilha de roupas do espaço traz à tona a magnitude do problema. O Atacama tem sido um destino para resíduos têxteis, resultantes do consumismo acelerado e da cultura do fast fashion.

A imagem foi obtida por meio do aplicativo de observação da Terra da Skyfi, que fornece fotos de satélite sob demanda. Após identificar a localização do aterro sanitário, os técnicos conseguiram registrar uma imagem de alta resolução que ilustra a extensão do problema.

De acordo com a análise da empresa, a imagem revela a impressionante dimensão da pilha de roupas em comparação com a cidade próxima, Alto Hospicio. Essa representação é um avanço significativo em relação a imagens anteriores disponíveis em serviços como o Google Earth.

A situação no Atacama é um reflexo de um ciclo de descarte de roupas que envolve a importação de grandes quantidades de vestuário, muitas vezes provenientes de países como China e Bangladesh. Anualmente, cerca de 59.000 toneladas de roupas são descarregadas no porto de Iquique, e uma parte significativa acaba em aterros no deserto.

Os dados indicam que mais da metade dessas roupas vai parar em aterros clandestinos. Muitas delas são consideradas não vendáveis e, portanto, descartadas, contribuindo para um grave problema ambiental. As roupas não são biodegradáveis e contêm produtos químicos, o que dificulta seu descarte em aterros convencionais.

A análise das autoridades chilenas revelou que, além de resíduos têxteis, outros tipos de lixo, como pneus e eletrônicos, também foram abandonados na região. Essa situação alarmante gerou reclamações formais e processos judiciais relacionados à negligência ambiental.

O problema não se limita ao Chile. Em outras partes do mundo, como Gana, também surgiram grandes aterros sanitários devido ao descarte de resíduos têxteis. A questão é tão crítica que especialistas das Nações Unidas têm alertado sobre a emergência ambiental e social causada pela indústria da moda.

Estudos da ONU mostram que a indústria têxtil é uma das principais responsáveis pela poluição plástica nos oceanos. Apesar de ocupar apenas uma pequena fração das terras agrícolas, ela consome uma quantidade desproporcional de pesticidas e inseticidas, evidenciando a necessidade urgente de uma mudança nas práticas de consumo e produção.

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