Flávio Dino se declara como o segundo alvo de perseguição familiar no STF

Compartilhe essa Informação

Ministro do STF denuncia perseguição e ameaça à sua família em sessão

Durante a sessão do STF, o ministro Flávio Dino revelou que é o segundo membro da Suprema Corte a sofrer perseguições direcionadas, afetando também seus familiares.

A declaração ocorreu em resposta à operação da Polícia Federal, realizada contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, e o advogado Diogo Diniz Lima, acusados de vazamento de informações sigilosas sobre a segurança do ministro para o jornalista Luís Pablo.

Dino destacou que apenas um outro ministro havia enfrentado situação semelhante, mencionando a repressão durante a ditadura militar. Ele expressou preocupação com a intimidação que vem enfrentando.

O ministro também compartilhou que recebeu ameaças veladas antes da operação, mencionando a exposição de fotos de seus filhos como uma forma de coação.

Em resposta às críticas sobre a ação da Polícia Federal, que foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, Dino fez referência a indivíduos que, segundo ele, têm um passado ligado à tortura e à repressão, sugerindo que não deveriam opinar sobre liberdade de expressão.

Ele ressaltou a importância da proteção da liberdade de imprensa e da independência judicial, afirmando que nenhuma forma de intimidação deve ser tolerada.

Origem do caso

A investigação teve início em novembro de 2025, quando o jornalista Luís Pablo publicou matérias sobre o uso irregular de veículos oficiais por Dino e sua família. As reportagens levantavam questões sobre um carro do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e traziam evidências visuais sobre o assunto.

A assessoria de Dino negou qualquer irregularidade, explicando que um veículo blindado do TJ-MA foi disponibilizado a pedido da Secretaria de Segurança do STF, como parte de um acordo de cooperação entre as instituições.

A Polícia Judicial do Supremo considerou que a divulgação de informações sobre os deslocamentos de Dino poderia comprometer sua segurança e a de seus familiares, dando início a uma investigação sobre a suposta perseguição ao ministro.

Fontes encontradas

Em março, o ministro Moraes autorizou uma busca e apreensão contra Luís Pablo, resultando na apreensão de dispositivos eletrônicos. A análise de conversas no WhatsApp levou à identificação de pessoas que teriam fornecido informações para as reportagens.

Entre os identificados estava o delegado aposentado Raimundo Cutrim, que, segundo a PF, acessou sistemas restritos para obter dados sobre Dino e repassou essas informações ao jornalista.

Na operação de terça-feira (11), foram realizadas buscas contra Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima, que teria orientado Luís Pablo sobre o conteúdo das publicações. A investigação revelou uma transferência de R$ 100 mil, supostamente destinada à compra de um imóvel rural, mas Luís Pablo negou que o valor estivesse relacionado à produção de matérias.

Entidades de imprensa expressaram preocupação com a investigação, argumentando que isso poderia ameaçar o sigilo da fonte, um dos pilares da liberdade de imprensa, e manifestaram sua desaprovação às ações judiciais que buscam identificar fontes de informação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *