Ex-comunista impulsiona Alemanha rumo ao primeiro governador ultradireita desde a 2ª Guerra Mundial
Partido de esquerda pode facilitar ascensão da ultradireita na Alemanha.
A ex-deputada e fundadora do partido Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica (BSW), Sahra Wagenknecht, está promovendo uma aliança inusitada que pode permitir à ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) assumir o governo estadual da Saxônia-Anhalt.
Com as eleições estaduais se aproximando, a AfD lidera as pesquisas, alcançando entre 41% e 43% das intenções de voto. O partido, classificado como extremista pelas autoridades, busca um feito inédito desde o fim do nazismo: governar novamente na Alemanha.
Wagenknecht, que tem um histórico de militância comunista, propõe que seu partido permita a ascensão de um governador da AfD, alegando que o objetivo é destituir o atual governador, Sven Schulze, da União Democrata Cristã (CDU). Ela sugere um governo suprapartidário, que incluiria a AfD em sua composição.
Se o BSW não apoiar essa manobra, Wagenknecht afirmou que seu partido se absteria de participar da eleição para governador. Isso abriria espaço para a AfD conquistar a posição com uma maioria simples, mesmo sem o apoio de outras siglas.
Wagenknecht, nascida na Alemanha Oriental, é conhecida por suas posições econômicas de esquerda, mas também por seu conservadorismo em questões sociais, como a imigração. Ela criticou a guerra em Gaza e expressou simpatia pela Rússia, mesmo após a invasão da Ucrânia.
Após anos como uma das figuras proeminentes do partido A Esquerda, Wagenknecht se afastou da legenda em 2023 devido a desavenças internas, criando sua própria sigla em busca de uma nova identidade política.
Desafios para os Conservadores
A AfD planeja governar sozinha após as eleições e nomear seu governador, mas isso depende de quantos partidos conseguirão entrar no Parlamento e como votarão na eleição. A CDU, atual governante, tem enfrentado dificuldades nas pesquisas, com intenções de voto entre 22% e 24%.
A CDU também rejeita qualquer aliança com A Esquerda, que aparece com 13% a 14% das intenções de voto. Os liberais do FDP, outro potencial aliado, estão em risco de não alcançar a cláusula de barreira de 5%.
O líder da A Esquerda, Luigi Pantisano, indicou que sua legenda poderia apoiar a CDU para evitar que a AfD assumisse o poder, embora isso não signifique um alinhamento com os conservadores.
Esse cenário não é inédito, pois em outros estados do leste, a CDU já consultou A Esquerda para garantir apoio em votações importantes. No entanto, o governador Schulze evita discutir alianças devido à divisão interna em seu partido sobre a questão.
Tática de Sobrevivência do BSW
A presença do BSW no Parlamento estadual ainda é incerta, com intenções de voto oscilando entre 4% e 5%, próximo da cláusula de barreira. Isso significa que o partido pode não conseguir representação e, portanto, não teria poder para impor um governo da AfD.
Diante dessa incerteza, o discurso de Wagenknecht pode ser uma estratégia para conquistar o eleitorado e garantir a sobrevivência política do BSW. Pesquisas mostram que uma significativa parte do eleitorado no Leste da Alemanha discorda da exclusão da AfD, com 69% defendendo que a aliança deve ser considerada caso a caso.
Outra pesquisa indica que 47% dos eleitores do leste apoiariam a participação da AfD no governo se ela fosse a mais votada, mas não conseguisse uma maioria própria.
“É totalmente antidemocrático excluir permanentemente um partido que é escolhido por cerca de 40% dos eleitores”, afirmou Wagenknecht.
O BSW, que foi fundado com base na figura de Wagenknecht, tem lutado para se manter relevante. O partido conquistou representação em estados orientais, mas perdeu força nas eleições federais de 2025, enfrentando dificuldades financeiras e desorganização.
Atualmente, o BSW não tem representação no Bundestag, o Parlamento Federal, e continua a buscar uma posição no cenário político.</
