Trump estabelece cota adicional de importação de carne para reduzir preços nos EUA
Trump amplia cota de importação de carne bovina por 90 dias para reduzir preços nos EUA.
O presidente dos Estados Unidos anunciou a ampliação da cota de importação de carne bovina por 90 dias. A medida visa aumentar a oferta do produto no mercado norte-americano e ajudar a reduzir os preços, especialmente da carne moída utilizada na produção de hambúrgueres.
A publicação feita pelo presidente em uma rede social não especifica quais países poderão se beneficiar da mudança ou como a nova regra será implementada.
“Enquanto trabalhamos para reconstruir esse rebanho e apoiar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias, os Estados Unidos permitirão a importação de até 300.000 toneladas de carne destinada à produção de carne moída, sem a incidência de tarifas fora da cota”, afirmou o presidente.
Segundo o presidente, a expectativa é que a carne seja comercializada por um preço 25% mais baixo do que o atualmente praticado no mercado norte-americano.
Carne em crise nos EUA
A medida ocorre em um momento crítico para os consumidores americanos, que enfrentam aumentos significativos nos preços da carne bovina.
Dados recentes indicam que o preço de uma libra (aproximadamente 453,59 gramas) de carne moída alcançou US$ 6,82 em junho, representando um aumento de 79% em comparação com os valores de 2019.
Especialistas apontam que a alta nos preços está ligada à redução do rebanho e da produção, em um cenário onde a demanda permanece aquecida.
Atualmente, o rebanho nos Estados Unidos está em seu menor nível em 75 anos, enquanto os preços do gado atingiram recordes, o que se reflete nos custos para o consumidor.
A situação é agravada pela suspensão, em 2025, da maioria das importações de gado mexicano devido a preocupações com a bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que afeta o gado.
Apesar de serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que permanece forte e pressionando os preços.
O impacto da nova medida sobre os preços ao consumidor é incerto e dependerá das estratégias adotadas pelas indústrias locais.
“É difícil afirmar que o preço do hambúrguer cairá para o consumidor americano, mas a expectativa é que a medida ajude a conter novas altas e a reduzir o custo de produção das indústrias locais”, comentou um especialista.
Brasil pode ser beneficiado?
Especialistas avaliam que o Brasil pode se beneficiar da nova cota. Uma ampliação ou redução das tarifas aumentaria a competitividade da carne bovina brasileira no mercado norte-americano, possibilitando um maior volume de exportações.
Entidades brasileiras do setor informaram que ainda não receberam detalhes oficiais do governo dos Estados Unidos sobre a nova medida.
Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores dos EUA, que costuma ser preenchida rapidamente no início do ano. Após o esgotamento desse volume, a carne brasileira ainda pode entrar no país, mas com uma tarifa extra de 26,4%.
Portanto, uma ampliação da cota que inclua o Brasil poderia melhorar as condições de acesso ao mercado americano.
Entretanto, é necessário aguardar informações oficiais antes de avaliar os efeitos dessa medida nas exportações brasileiras.
A decisão de Trump surge em um momento em que o Brasil reduziu os embarques para a China, seu maior cliente, após atingir o limite de cotas de comercialização sem tarifas adicionais.
Pesquisadores indicam que o Brasil exporta uma parte significativa de sua produção para os dois países, com foco na dianteira do boi.
Brasil já é um dos principais fornecedores
Os Estados Unidos são atualmente o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para o país, um aumento de 17,1% em relação ao ano anterior.
A receita gerada com essas exportações atingiu US$ 1,54 bilhão, representando um crescimento de 33,1% em comparação anual.
Atualmente, cerca de 50 plantas frigoríficas
