América Latina avança de limbo corporativo para orquestração de inteligência artificial
Brasil se destaca no uso diário de Inteligência Artificial Generativa, mas enfrenta desafios na adoção corporativa.
O Brasil ocupa a segunda posição global em consumo diário de Inteligência Artificial Generativa, com 51,6% da população ativa utilizando essa tecnologia. Apesar desse uso significativo, a adoção nas empresas é ainda limitada, com apenas 13% das organizações desenvolvendo estratégias estruturadas de IA.
Esse cenário pode parecer um atraso à primeira vista, mas na prática, representa uma oportunidade única para um avanço tecnológico. A América Latina tem um histórico de pular etapas intermediárias, como demonstrado na transição rápida para bancos digitais e pagamentos instantâneos, evitando a complexidade de sistemas legados que ainda afetam companhias em outras regiões.
Onde o ROI se perde
A necessidade de um avanço rápido é impulsionada por um descompasso financeiro no ambiente corporativo. Embora 78% das empresas globalmente utilizem Inteligência Artificial, muitos não conseguem obter retorno sobre seus investimentos. Dados indicam que 60% das organizações não extraem valor significativo, enquanto apenas 5% alcançam maturidade na geração de valor.
O problema reside na integração da tecnologia a sistemas isolados, como CRMs e ERPs tradicionais. Processos corporativos, como compras e contratações, frequentemente envolvem diversas plataformas e trocas de informações que dificultam a eficiência.
O mercado começa a perceber que o verdadeiro retorno sobre o investimento não está apenas em conectar a inteligência a um sistema específico, mas em entender a intenção do cliente e orquestrar todo o processo de forma integrada e segura. Projeções indicam que a contribuição da IA para o valor gerado pela tecnologia pode saltar de 17% em 2025 para 29% em 2028, refletindo uma transição para processos mais executáveis.
Governança nativa
A autonomia operacional depende de um modelo de governança nativa, que vai além dos tradicionais manuais de compliance. Em setores regulados, como saúde e finanças, a segurança exige que as regras de negócio sejam a base do sistema. Em uma arquitetura orquestrada, a tecnologia deve seguir rigorosamente as condições preestabelecidas, garantindo trilhas de auditoria contínuas.
A América Latina tem uma janela de 12 a 18 meses para consolidar seus sistemas antes que as plataformas globais adaptem seus produtos à realidade local. Soluções desenvolvidas no exterior frequentemente enfrentam barreiras regulatórias que dificultam a conformidade com normas como a LGPD e a engenharia tributária local.
O mercado já não tolera ferramentas de IA que impressionam visualmente, mas falham em gerar impacto financeiro. A região possui a cultura de adaptação e a oportunidade de liderar essa transição. Estruturar o trabalho por meio da orquestração governada é o caminho para transformar um distanciamento estatístico em produtividade real.
