Arábia Saudita enfrenta desafios para sustentar projeto NEOM devido à queda nos preços do petróleo

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A Arábia Saudita enfrenta desafios em seus ambiciosos projetos turísticos devido à queda nos preços do petróleo.

A Arábia Saudita tem se destacado por seus projetos arquitetônicos de caráter distópico, com o intuito de diversificar sua economia e se tornar um destino turístico de luxo. No entanto, a volatilidade econômica, acentuada pela instabilidade no Estreito de Ormuz, trouxe incertezas para a execução desses planos.

O principal fator que afeta esses projetos é a queda acentuada nos preços do petróleo, que são fundamentais para a economia saudita. As previsões indicam que esses preços devem permanecer baixos por um período prolongado, o que impacta diretamente o financiamento dos megaprojetos.

A queda nos preços do petróleo

Um dos pilares do projeto Vision 2030 da Arábia Saudita é a redução da dependência do petróleo e gás, que sustentam a prosperidade do país. No entanto, o cenário atual de ascensão das energias renováveis e tensões geopolíticas resultaram em uma queda significativa nos preços do petróleo nos últimos meses.

Recentemente, os preços do barril nos mercados internacionais estavam em torno de US$ 70, bem abaixo dos níveis superiores a US$ 100 observados em 2022. Apesar dos esforços da OPEP+ para aumentar a produção, a recuperação dos preços tem sido lenta e insuficiente, com flutuações que mantêm os valores entre US$ 70 e US$ 90.

Sem petróleo, não há financiamento

A diminuição da receita proveniente do petróleo afeta diretamente o orçamento nacional, levando a cortes de gastos superiores a 3,7% ao ano projetados para 2025. As autoridades sauditas esperavam receitas mais elevadas para financiar seus planos, resultando em um déficit significativo nas finanças públicas e colocando em risco a continuidade dos megaprojetos.

Uma queda prolongada nos preços do petróleo exigiria cortes mais profundos nos gastos do governo para conter o déficit crescente. O governo saudita havia orçado US$ 342 bilhões em despesas para 2025, prevendo arrecadar cerca de US$ 315 bilhões em receitas, o que deixaria um déficit de aproximadamente US$ 27 bilhões, agravado pela queda nas receitas.

Já houve uma redução inicial

Os projetos arquitetônicos de Neom já enfrentaram cortes significativos anteriormente. Há um ano, a extensão planejada de 170 quilômetros foi reduzida para apenas 2,7 quilômetros até 2030, e a construção de uma usina de dessalinização foi cancelada. Esses cortes foram impulsionados pelo fraco desempenho financeiro do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.

Os ajustes anteriores foram motivados por problemas financeiros e manobras contábeis, mas a situação atual é ainda mais crítica, com a necessidade de reavaliar os planos de investimento diante da escassez de recursos.

A encruzilhada saudita

Com projetos inacabados e receitas comprometidas, o governo saudita busca atrair investimentos para cobrir os custos crescentes. Essa estratégia inclui compromissos como sediar os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, a Expo 2030 em Riad e a Copa do Mundo da FIFA de 2034, embora os Jogos Asiáticos tenham sido adiados indefinidamente.

Esses compromissos exigirão que o governo priorize a construção de estádios e infraestrutura para a Copa do Mundo, possivelmente à custa de investimentos em projetos turísticos de Neom. As instalações já construídas poderão ser reaproveitadas para outras finalidades.

Uma versão deste artigo foi publicada em abril de 2025.

Imagem de capa | NEOM

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