In Forma traz novidades em sua edição de 26 de agosto de 2026

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Reflexões sobre a efervescência política e cultural de Porto Alegre no passado.

As atuais campanhas eleitorais, tanto para a Presidência quanto para o Governo do Estado, revelam candidatos que estão cada vez mais distantes de um debate sério e construtivo, essencial para os tempos que vivemos.

Os concorrentes à Presidência, Lula e Flávio Bolsonaro, parecem mais preocupados em desacreditar um ao outro do que em apresentar propostas concretas, como se estivessem em um jogo de futebol onde vale tudo, inclusive as baixarias.

No entanto, a história política do Rio Grande do Sul mostra um passado em que as discussões eram pautadas por ideias e propostas, independentemente das ideologias partidárias. Figuras como Getúlio Vargas, Luís Carlos Prestes e Leonel Brizola sempre priorizaram o debate de conteúdo político.

Durante as décadas de 50 e 60, Porto Alegre se destacava como um dos principais centros políticos e culturais do Brasil. O ambiente era propício para discussões enriquecedoras, impulsionadas pela Universidade Federal, que promovia ciclos de debates com intelectuais renomados do Instituto Superior de Estudos Brasileiros, como Guerreiro Ramos e Ruy Mauro Marini.

Além das universidades, a cultura e a política fervilhavam em espaços como o Clube de Cinema de Porto Alegre e em pequenos jornais, como o Expressão, que surgiram na época. Conversas informais nos bares e na Rua da Praia também eram centros de debate vibrantes.

Esse clima de efervescência cultural foi interrompido pelo golpe militar de 1964, mas não antes de permitir que muitos conhecessem a obra do historiador Jacob Gorender. Ele, convidado pela Federação dos Estudantes da Universidade Federal, apresentou palestras sobre O Humanismo Marxista, desafiando a visão conservadora que o via como algo exótico e incompatível com a cultura ocidental.

Gorender argumentou que o marxismo se fundamenta em três pilares da cultura ocidental: o socialismo utópico francês, a filosofia clássica alemã e a doutrina econômica inglesa, mostrando sua relevância e conexão com a cultura ocidental.

Outro influente intelectual da época foi o escritor português José Saramago, cujos Ensaios, como O da Cegueira e O da Lucidez, provocaram reflexões profundas. Ao nomear seus livros como ensaios, Saramago nos ofereceu uma oportunidade de leitura multifacetada, estimulando um pensamento crítico sobre a realidade.

Em O da Cegueira, apenas uma mulher tinha a capacidade de ver a verdade em meio ao caos, enquanto em O da Lucidez, os eleitores se viam desiludidos, já que ambos os candidatos representavam a mesma ideologia, refletindo a apatia política.

Embora o vibrante mundo de debates e cultura de Porto Alegre tenha se dissipado, os ensinamentos de Gorender e Saramago permanecem vivos. É fundamental continuar a luta pela Revolução Brasileira, guiados por aqueles que vislumbram um futuro promissor, e criar uma vanguarda revolucionária que rejeite candidatos que não apresentam propostas de mudanças significativas para o País e o Estado.

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