Cláudio Castro e deputados são citados em lista de bicheiro detido no Rio
Operação Unha e Carne investiga ligações entre políticos e o jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Documentos apreendidos pela Polícia Federal revelam a associação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e de outros políticos a um esquema de caixa dois de campanha, ligado ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho.
As investigações estão em andamento para esclarecer os contextos dos repasses financeiros mencionados nas listas. A defesa de Castro nega veementemente qualquer envolvimento em atividades ilícitas, afirmando que a campanha de 2022 foi devidamente registrada e auditada pela Justiça Eleitoral.
A defesa também destaca que a simples menção a nomes em listas não é suficiente para comprovar irregularidades. Além disso, enfatiza que o ex-governador não é alvo da operação e está à disposição das autoridades para esclarecimentos.
Adilsinho, que já estava preso, recebeu um novo mandado de prisão. Seu advogado declarou que ele rejeita quaisquer alegações de pagamentos indevidos a políticos. Os nomes dos outros políticos mencionados nas listas permanecem em sigilo.
As investigações da PF sobre Cláudio Castro incluem suas relações com empresários do setor financeiro, com o ex-governador negando todas as suspeitas. Recentemente, ele desistiu de sua pré-candidatura ao Senado após ser alvo de investigações em um curto espaço de tempo.
A operação desta quinta-feira também resultou em mandados de prisão contra o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o pastor Márcio Poncio, ambos já detidos. A defesa de Bacellar nega sua participação nos fatos investigados, enquanto os advogados de Poncio não se manifestaram.
A Operação Unha e Carne investiga ainda possíveis vazamentos de informações que beneficiaram grupos criminosos. Nesta fase, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a cúpula do jogo do bicho e suas conexões com o Executivo e Legislativo do Rio.
As investigações foram impulsionadas por planilhas encontradas com Adilsinho, que indicam registros de pagamentos indevidos e uma contabilidade paralela para ocultar recursos ilícitos. As anotações sugerem repasses diretos a políticos, o que é uma das principais linhas de investigação.
Além dos mandados de prisão, 14 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio e em São João de Meriti. O bloqueio de bens e valores pode chegar a R$ 22 milhões, conforme ordem do ministro Alexandre de Moraes.
A nova fase da operação destaca a gravidade das ligações entre o crime organizado e a política, com a PF alertando para a necessidade de rigor na investigação dos possíveis repasses financeiros a agentes públicos.
Um dos alvos da operação é o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que também nega envolvimento em atividades criminosas. O caso segue sob segredo de Justiça, e a PF não divulgou os nomes dos demais alvos.
A situação evidencia a complexidade e a profundidade das investigações em curso, que buscam desmantelar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro no Estado do Rio de Janeiro.
