Flávio envia carta aos EUA com proposta de restrição à integração do Pix

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Senador Flávio Bolsonaro defende o Pix e critica sanções dos EUA ao Brasil.

O senador Flávio Bolsonaro enviou uma manifestação ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), onde defende o sistema de pagamentos Pix e critica a possibilidade de novas sanções contra o Brasil. Ele também se comprometeu a impedir que o sistema brasileiro se conecte a arranjos internacionais de liquidação considerados “não ocidentais”.

No documento, Flávio argumenta que a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros não resolveria as preocupações dos Estados Unidos em relação ao sistema de pagamentos, podendo ainda prejudicar os investimentos norte-americanos no Brasil.

Em um trecho da carta, o senador afirma: “Uma sanção ou tarifa é a medida errada: não altera a arquitetura do sistema de pagamentos e prejudica o investimento dos EUA”. Ele ressalta que o Pix não deve ser visto como um concorrente direto de empresas privadas de pagamento, como cartões de crédito e débito, que oferecem serviços complementares.

Flávio também refutou as alegações de conflito de interesse levantadas pelo governo anterior dos EUA, citando o FedNow, um sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Federal Reserve, como exemplo de infraestrutura pública similar.

O senador apresentou o Pix como um marco do governo de Jair Bolsonaro, destacando que seu crescimento não impediu a expansão das transações com cartões de empresas norte-americanas no Brasil. Ele argumenta que a formalização de milhões de brasileiros ampliou o mercado consumidor para companhias americanas, especialmente em setores como comércio eletrônico e fintechs.

A manifestação, com 86 páginas, foi enviada no último dia do prazo para considerações ao USTR, que está conduzindo uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a qual avalia práticas consideradas prejudiciais a empresas dos EUA.

A investigação abrange temas como o Pix, regulação de plataformas digitais, tarifas, corrupção e propriedade intelectual. Com base nesse processo, o governo Trump propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Flávio solicitou um adiamento de 180 dias na aplicação da medida, o que postergaria a cobrança para após as eleições presidenciais no Brasil. Ele se apresenta como pré-candidato à Presidência e menciona ter discutido o assunto com Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio.

O senador acredita que novas tarifas não pressionariam o governo brasileiro como pretende Washington, mas poderiam fortalecer politicamente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem utilizado as ameaças econômicas como ataques à soberania nacional.

Flávio argumenta que as tarifas propostas recompensariam o governo brasileiro por sua estratégia de obstrução em negociações sérias, convertendo retaliações em vitórias políticas internas.

Ele também menciona que tarifas anteriores não resultaram em mudanças concretas no comportamento das autoridades brasileiras, mas geraram custos para empresas dos EUA e setores brasileiros que desejam uma relação mais próxima com Washington.

O senador está confirmado para participar de uma audiência pública do USTR sobre as tarifas propostas. A lista de participantes inclui representantes de diversos setores da economia.

Simultaneamente, o governo Lula enviou uma resposta formal ao USTR, negando que suas políticas sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio norte-americano.

Além da tarifa de 25%, os EUA consideram uma sobretaxa de 12,5% relacionada à fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Essa combinação poderia elevar a taxação total para até 37,5% sobre algumas exportações brasileiras.

As tarifas ainda não foram implementadas, e o governo americano realizará consultas públicas antes de qualquer decisão final. Caso sejam aprovadas, as medidas podem começar a valer em breve.

Se confirmadas, as tarifas afetariam produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, embora haja sinalizações de exceções para itens considerados estratégicos.

O presidente Lula atribui as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e já chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “traidores da pátria”.

No ano passado, quando Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente ao presidente norte-americano.

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