Daniel Vorcaro presta depoimento à PF no gabinete de Mendonça

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Daniel Vorcaro alega perseguição e tortura durante depoimento no STF

Em um depoimento prestado ao Supremo Tribunal Federal, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que sua prisão é resultado de uma conspiração que se iniciou com a aquisição da instituição financeira em 2019. Durante a oitiva, ele argumentou que sua detenção foi uma tentativa de silenciá-lo.

Vorcaro declarou que sua prisão foi uma forma de intimidação para impedi-lo de revelar informações sobre a operação em que estava envolvido. Ele ressaltou que foi detido logo após o anúncio da venda do banco, alegando que já enfrentava retaliações desde o início de sua atuação no mercado financeiro.

O ex-banqueiro relatou que a suposta perseguição começou antes mesmo da compra do Banco Master, com um esforço do sistema financeiro para barrar sua atuação em favor de grandes instituições. Ele descreveu as retaliações que sofreu como sendo “absurdas” e afirmou que enfrentou uma resistência significativa por parte do Banco Central, que dificultou a aprovação de suas operações.

Entre 2019 e 2020, Vorcaro disse ter sido alvo de investigações policiais sem fundamento, relacionadas a transações ocorridas em 2013, período em que não fazia parte da instituição. Para ele, essas investigações foram reabertas com o intuito de intimidá-lo logo no início de sua trajetória no comando do banco.

Um ano antes de sua prisão na Operação Compliance Zero, Vorcaro afirmou ter recebido um aviso de um concorrente, sugerindo que deixasse o mercado. Ele alegou que, ao recusar essa sugestão, o sistema decidiu sacrificá-lo como um exemplo para outros no setor, com ameaças explícitas sobre sua segurança.

No depoimento, Vorcaro também comentou sobre os eventos que cercaram sua detenção, descrevendo supostas torturas e ameaças feitas por policiais federais. Ele relatou ter sido mantido em condições adversas durante o transporte e intimidado por agentes que o alertaram sobre as consequências de suas ações.

Para lidar com as retaliações, o banqueiro afirmou que criou um “sistema de proteção”, que acabou se voltando contra ele. Ele mencionou que suas tentativas de defesa resultaram em relações com pessoas influentes, devido ao medo das consequências que poderia enfrentar.

Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava deixar o país. Desde então, a Procuradoria-Geral da República considera que suas tentativas de colaboração premiada estão esgotadas, uma vez que suas propostas não trouxeram novas informações relevantes.

Três advogados já passaram pela defesa de Vorcaro, cada um enfrentando dificuldades em estabelecer um acordo com a PGR. As investigações revelaram a formação de um grupo voltado a chantagens e ameaças, visando proteger os interesses de uma organização criminosa e intimidar jornalistas e concorrentes.

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