Operação da PF com apoio de Dino mira ‘Dark Horse’ e Mario Frias em meio à crise no STF

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Operação da Polícia Federal investiga desvio de recursos públicos para filme sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quinta-feira, 10, com autorização do ministro Flávio Dino, do STF, para apurar suspeitas de desvio de dinheiro público no financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dentre os alvos da operação, destaca-se o deputado Mario Frias, roteirista do filme e responsável pelas emendas parlamentares sob investigação. A produtora Go Up Entertainment, representada por Karina Gama, também foi alvo dos mandados de busca e apreensão.

Investigações indicam que pelo menos R$ 750 mil, repassados à Go Up durante as filmagens, podem ter origem nas emendas de Frias. O ministro Dino impôs restrições ao deputado, como a proibição de deixar o país, e decidiu tornar pública a investigação, que pode impactar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.

A decisão do ministro ocorre em um contexto de tensões no STF, exacerbadas por recentes embates entre magistrados, incluindo a divulgação de ligações de Alexandre de Moraes com um banco que financiou o filme.

Em resposta à operação, Frias qualificou as ações como uma “cortina de fumaça” e defendeu que os recursos destinados a projetos sociais foram mal interpretados. Ele alegou que a investigação carece de fundamento e que sua defesa tem solicitado acesso ao inquérito sem sucesso.

Karina Gama, embora não tenha respondido diretamente, negou irregularidades em declarações anteriores e expressou preocupação com sua segurança, afirmando que não tem informações a delatar caso seja presa. A investigação também menciona a compra de um carro pela produtora, que foi realizada em dinheiro vivo.

Durante a operação, foram cumpridos 49 mandados em várias localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A PF apreendeu sete armas registradas em nome de Frias, que estavam em local diferente do permitido, o que levanta questões sobre posse ilegal.

A operação se baseia em movimentações financeiras do Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina, com dados provenientes de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O relatório policial indica que Frias transferiu R$ 2 milhões ao ICB, com parte destinada a um projeto de letramento digital.

Entre as movimentações financeiras, foram identificados repasses a empresas ligadas a Karina, culminando em um repasse de R$ 750 mil à Go Up, que coincide com o período de filmagem do “Dark Horse”. A PF observa que, embora não se possa afirmar a origem direta dos valores, as coincidências são relevantes para a investigação.

Além disso, a Go Up realizou pagamentos significativos a um hotel e a uma empresa de alimentação durante as filmagens, levando a polícia a correlacionar esses gastos com os repasses recebidos. Frias também fez transferências substanciais à produtora, cujos valores não são compatíveis com seu salário como parlamentar.

O filme “Dark Horse” está no centro de um desdobramento do caso do Banco Master, onde Flávio Bolsonaro foi citado em negociações para financiar a produção. Embora não esteja sendo investigado neste inquérito específico, ele enfrenta outra apuração relacionada ao filme sob a relatoria de André Mendonça.

Flávio Bolsonaro reagiu à operação, alegando que não houve uso de dinheiro público e caracterizando as ações como interferência política. A reportagem não conseguiu contato com as empresas mencionadas nas investigações.

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