Vorcaro teria acesso a casos no MPF, revelam conversas
Polícia Federal investiga acesso irregular a dados sigilosos por grupo ligado a Daniel Vorcaro.
Conversas obtidas pela Polícia Federal revelam que membros de um grupo associado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, discutiram a obtenção de informações sobre investigações do Ministério Público Federal, incluindo procedimentos que deveriam ser sigilosos.
Em uma das mensagens, Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, alegou ter “acesso total e ilimitado” ao sistema do MPF. Em outra comunicação, questionou se seria necessário incluir mais pessoas para acessar os dados sigilosos.
A representação da PF no Supremo Tribunal Federal indicou que perfis institucionais de dois servidores do Ministério Público foram utilizados de forma indevida. A investigação não determinou se as credenciais foram obtidas por meio de ataque cibernético ou se foram fornecidas pelos próprios titulares. A Procuradoria Geral da República informou que uma funcionária foi alvo de um golpe digital do tipo phishing, enquanto a situação do outro funcionário ainda está sendo analisada.
Dentre os diálogos analisados, destaca-se uma troca entre Vorcaro e Mourão em fevereiro de 2024, onde Vorcaro solicitou informações sobre um inquérito específico, mostrando interesse em saber mais sobre o processo judicial em questão.
Em março de 2024, Mourão tentou acessar um inquérito no sistema do MPF, mas encontrou restrições, mencionando que apenas a unidade responsável tinha acesso e que o sigilo era máximo. Ele se comprometeu a tentar novamente no dia seguinte.
Em junho de 2024, Vorcaro compartilhou um despacho da PF que mencionava nomes relevantes a investigações em andamento, e Mourão ofereceu ajuda para levantar informações sobre os envolvidos. Vorcaro questionou se havia múltiplos inquéritos em seu nome, o que foi confirmado por Mourão.
Nos diálogos, Mourão enviou informações sobre procedimentos classificados como sigilosos e sugeriu adicionar mais pessoas ao grupo para facilitar o acesso a esses dados. Em outra ocasião, ele destacou que tinha acesso amplo ao sistema, embora não soubesse até quando esse acesso estaria disponível.
Em julho de 2025, Mourão fez uma consulta ao sistema do MPF com o CPF de Vorcaro, identificando vários procedimentos, a maioria deles sigilosos. Vorcaro pediu para ter acesso a todas as informações disponíveis, demonstrando a preocupação em monitorar as investigações contra ele.
Os diálogos fazem parte de um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal, que foi divulgado após a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo de processos relacionados ao Banco Master. A decisão foi tomada em resposta a um pedido do presidente do STF, Edson Fachin, antes de uma sessão crucial onde o plenário analisará o relatório da PF e decidirá sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça também determinou que cópias integrais dos processos fossem enviadas aos gabinetes dos ministros do Supremo, sinalizando a gravidade das informações obtidas e a necessidade de uma investigação aprofundada.