Relatório da PF sobre Dark Horse contradiz versão de Flávio
Relatório da Polícia Federal revela inatividade do fundo Havengate antes de repasse para filme sobre Bolsonaro.
Um novo relatório da Polícia Federal investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, que teve seu sigilo retirado recentemente, traz informações que contradizem a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL.
De acordo com o relatório, o fundo norte-americano Havengate, criado em 2020, ficou “inoperante” por quase quatro anos, sem realizar qualquer atividade, até receber seu primeiro repasse em fevereiro de 2025. Este repasse, no valor de US$ 2.000.000, foi feito pelo fundador do Banco Master.
O relatório destaca que, embora o fundo tenha permanecido juridicamente ativo, ele não teve qualquer operação registrada até o mencionado repasse. Essa situação levanta questões sobre a compatibilidade entre o perfil do fundo e a destinação dos recursos, especialmente considerando que o fundo foi originalmente criado para fins imobiliários.
As investigações indicam que a Entre Investimentos foi a responsável pelos repasses ao fundo, levantando ainda mais dúvidas sobre a real finalidade do Havengate. Em uma entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que o fundo foi criado exclusivamente para a produção do filme.
O documento da PF também menciona que o fundo, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, foi reativado sem lastro em operações imobiliárias ativas. Flávio defendeu a escolha do fundo, alegando que o advogado era de sua confiança e que os recursos não beneficiaram seu irmão nos Estados Unidos.
No entanto, a Procuradoria Geral da República manifestou-se nos arquivos agora disponíveis, afirmando que Eduardo Bolsonaro “orientou” a gestão dos recursos nos EUA, o que contraria as declarações feitas por Flávio.
OUTRO LADO
O Poder360 tentou contato com Flávio e Eduardo Bolsonaro para obter comentários sobre o relatório da Polícia Federal, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada.