Conselho de Supervisão da Meta solicita manutenção da verificação em vez de ‘Notas da Comunidade’

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Conselho de Supervisão da Meta critica substituição de verificação jornalística por notas da comunidade.

O Conselho de Supervisão da Meta expressou sua preocupação com a proposta da empresa de substituir seu programa de verificação de informações realizado por jornalistas por “notas da comunidade” em 16 países da América Latina.

Em um comunicado divulgado, o conselho argumenta que a verificação profissional e as notas geradas por usuários das redes sociais são mecanismos que atendem a propósitos distintos e complementares.

Além disso, o conselho alerta que as notas da comunidade podem ser suscetíveis a manipulações, especialmente em regimes repressivos e em nações polarizadas.

Por isso, o conselho instou a Meta a não apresentar essas notas como uma alternativa direta à verificação realizada por profissionais da informação.

Recentemente, a Meta iniciou testes das Notas da Comunidade em diversos países da América Latina, o que representa um movimento em direção à substituição do programa de verificação de conteúdos feito por jornalistas.

Esse anúncio ocorre em um contexto de ascensão da direita na região, com líderes que se inspiram em figuras como Donald Trump e Nayib Bukele, e que utilizam as redes sociais para disseminar mensagens e fortalecer suas imagens.

No ano passado, a Meta já havia encerrado o programa de verificação nos Estados Unidos, optando por um sistema colaborativo semelhante ao que é utilizado pela plataforma X, de Elon Musk.

Neste novo modelo, a verificação de informações não é realizada por jornalistas, mas por usuários que atendem a requisitos específicos, como ter pelo menos 18 anos e uma conta ativa por um período mínimo.

Fatores de risco

O conselho ressaltou que, embora as notas possam facilitar debates e promover a livre expressão, também têm o potencial de causar danos em contextos de repressão aos direitos humanos e polarização política.

Além disso, a decisão de implementar esse sistema deve ser baseada em uma análise cuidadosa dos riscos associados a cada país.

Os países afetados pela nova política da Meta incluem Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O Brasil, que se prepara para eleições presidenciais em outubro e é o maior mercado da Meta, não está incluído nessa lista.

A AFP, que opera em mais de 26 idiomas, participa de um programa de verificação de fatos com apoio do Facebook, que conta com a colaboração de diversos veículos de comunicação ao redor do mundo.

A recente decisão da Meta foi rapidamente contestada pela Rede Internacional de Checagem de Fatos, que argumentou que o novo programa não é adequado para enfrentar os desafios de desinformação em contextos críticos.

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