Brasil pode conquistar até 40% da nova demanda dos Estados Unidos por carne e arroba pode atingir recorde
Brasil pode garantir até 40% da nova demanda dos EUA por carne bovina.
O Brasil está posicionado para absorver uma parte significativa das 300 mil toneladas adicionais de carne bovina que os Estados Unidos abrirão. A estimativa é que o país pode ficar com um volume entre 90 mil e 120 mil toneladas, conforme análise de especialistas do setor.
As novas regras de elegibilidade implementadas pelos Estados Unidos favorecem o Brasil, que é conhecido por sua produção de carne magra e aparas utilizadas em diversos produtos, como hambúrgueres. Esse cenário torna o Brasil um forte concorrente para atender à crescente demanda norte-americana.
O analista destacou que, considerando as cotações atuais, os volumes de carne que o Brasil pode exportar são bastante interessantes, com uma expectativa de 30% a 40% desse total. Isso representa uma oportunidade significativa para o agronegócio brasileiro.
Além disso, os tradicionais fornecedores de carne bovina para o mercado norte-americano, como Argentina, Austrália, Uruguai e Nova Zelândia, possuem suas próprias cotas. Portanto, não haverá uma competição direta com o Brasil para esse volume extra, o que reforça a posição do país no comércio internacional.
No entanto, países como Paraguai e algumas nações da América Central podem disputar espaço no mercado, embora sua capacidade exportadora seja inferior à do Brasil. Essa dinâmica reforça a expectativa de que o Brasil seja o principal beneficiado nessa nova fase do mercado.
A indústria nacional, por sua vez, ainda precisa avaliar a viabilidade de novas operações, já que os cortes demandados pelos EUA representam uma parte limitada da carcaça, enquanto os preços do boi gordo permanecem altos no mercado interno.
EUA podem ganhar protagonismo
A abertura do mercado norte-americano ocorre em um contexto de queda nas compras chinesas de carne bovina brasileira. Com isso, o mercado dos EUA pode ajudar a absorver parte dessa oferta, embora não tenha a capacidade de substituir completamente a China como principal destino das exportações brasileiras.
Em agosto, os Estados Unidos chegaram a superar a China nas compras de carne bovina brasileira, o que representa uma mudança interessante nas dinâmicas de mercado. Enquanto a demanda da China se mantiver em níveis baixos, o mercado norte-americano deve continuar a ganhar relevância nas exportações do Brasil.
Arroba do boi pode atingir preços recordes
Apesar do aumento na demanda dos EUA, o principal fator que sustentará o preço da arroba do boi gordo é a mudança no ciclo pecuário brasileiro. Espera-se uma redução na disponibilidade de animais para abate no segundo semestre, o que deve manter o mercado firme.
No curto prazo, as cotações apresentam-se estáveis, mas sem uma trajetória clara de altas expressivas no mercado físico. Em contraste, o mercado futuro já demonstra avanços mais consistentes.
Para os últimos dois meses do ano, as previsões são otimistas, com uma combinação de oferta restrita, aumento sazonal na demanda interna e a expectativa de uma possível retomada das exportações para a China, considerando as novas cotas de 2027.
Esses fatores são indicativos de que, nos meses de novembro e dezembro, a arroba do boi gordo pode alcançar preços recordes, embora essa valorização ainda não tenha sido refletida de forma acentuada no mercado físico.