Limerência: a obsessão emocional que se confunde com o amor

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A limerência: quando o amor se torna obsessão

O amor pode, em algumas situações, evoluir para um estado de obsessão conhecido como limerência. Essa condição psicológica transforma a paixão inicial em um comportamento que pode ser comparado a um transtorno obsessivo-compulsivo, afetando tanto a pessoa que sente quanto o objeto de seu afeto.

A limerência não é oficialmente reconhecida como um transtorno no DSM-5, mas é um conceito psicológico que foi introduzido na década de 1970. Ela descreve uma série de comportamentos e padrões de pensamento que se assemelham a vícios e transtornos, como o TOC. Estudos indicam que existem vínculos biológicos entre a limerência e esses transtornos, especialmente no que diz respeito aos níveis de serotonina e dopamina.

A relação com o TOC se dá pela diminuição de serotonina, enquanto com os vícios, a dopamina é o principal fator. Na limerência, a dopamina é liberada em resposta ao contato com a pessoa desejada, semelhante ao que ocorre em vícios como o álcool ou jogos de azar.

Os sintomas

Pessoas que experienciam limerência frequentemente se tornam obcecadas pelo objeto de seu desejo, apresentando pensamentos intrusivos constantes. Esses pensamentos podem levar a comportamentos compulsivos, como verificar redes sociais ou sonhar acordado sobre encontros.

Além disso, a idealização do outro e o medo intenso de rejeição são comuns. Essa obsessão pode interferir significativamente na capacidade de realizar atividades cotidianas, como trabalhar ou estudar, e em casos extremos, pode levar ao assédio.

Os sintomas mentais também podem se manifestar fisicamente, resultando em taquicardia, tremores, sudorese e até problemas de apetite. Esses sinais físicos são uma resposta ao estresse emocional gerado pela limerência.

Não é amor, mas parece

No início de um relacionamento, a dopamina é liberada, criando uma sensação de prazer e apego. Essa resposta biológica é fundamental para a continuidade da espécie, mas quando a necessidade de contato se torna obsessiva, a situação se torna problemática.

A limerência pode durar semanas, mas muitas vezes se estende por meses ou até anos, impedindo que a pessoa siga em frente, mesmo que o amor não seja correspondido.

Fatores de risco para a limerência

A limerência é mais comum em indivíduos com baixa autoestima ou que já enfrentaram relacionamentos traumáticos. O uso excessivo de redes sociais também pode intensificar essa condição, pois facilita comportamentos obsessivos.

Felizmente, a limerência pode ser tratada. Trabalhar a autoestima e estabelecer limites nas interações sociais são passos importantes. Muitas vezes, a ajuda de um profissional é necessária, utilizando abordagens como a terapia cognitivo-comportamental. Essa terapia ajuda a habituar a pessoa ao que a causa ansiedade, permitindo que a obsessão diminua gradualmente.

Por exemplo, em um tratamento para TOC, o paciente pode ser encorajado a tocar em uma maçaneta e não lavar as mãos. No caso da limerência, isso pode envolver usar o celular sem verificar mensagens da pessoa desejada, ajudando a reduzir a compulsão.

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