Mãe e filha constroem casa de sete cômodos com 8 mil garrafas de vidro recicladas

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Edna Dantas e sua filha transformam lixo em moradia sustentável na Ilha de Itamaracá.

Na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, Edna Dantas e sua filha Maria Gabrielly inovaram ao construir a “Casa de Sal” utilizando garrafas de vidro descartadas. O projeto, que começou a ser idealizado em meio à natureza exuberante da ilha, reflete um compromisso com a sustentabilidade e a reutilização de materiais.

A “Casa de Sal” abrange cerca de 70 metros quadrados e conta com sete cômodos, todos construídos com aproximadamente 8 mil garrafas de vidro vazias. A ideia de utilizar esses materiais surgiu a partir da observação do ambiente ao redor, onde as duas mulheres notaram a quantidade de lixo disponível nas praias e manguezais.

Edna, com uma longa história de reaproveitamento de materiais, aprendeu desde cedo com seus pais a transformar o que era considerado lixo em algo útil. Sua experiência em cooperativas de reciclagem foi fundamental para aplicar técnicas sustentáveis na construção da casa. As obras tiveram início em 2020, e as garrafas coletadas foram cuidadosamente limpas e inseridas verticalmente nas paredes, permitindo a entrada de luz natural em diversos ambientes.

Além das garrafas, outros materiais inusitados foram incorporados à construção, incluindo madeira de paletes para as divisórias e tubos de pasta de dente reciclados para o telhado. A colaboração da comunidade também foi essencial, com vizinhos ajudando em tarefas como a instalação do telhado e do piso.

Em julho de 2021, já havia 6 mil garrafas na estrutura, e esse número aumentou para 8 mil ao longo da construção. Estima-se que, ao todo, cerca de 13 mil garrafas foram coletadas para o projeto e outras iniciativas sustentáveis. Hoje, a Casa de Sal não é apenas uma residência, mas também um espaço de ecoturismo e educação ambiental.

Os visitantes são convidados a se hospedar na casa e a explorar a rica biodiversidade local, interagindo com a comunidade e conhecendo as tradições culturais da região. A proposta é promover um turismo consciente, que valoriza o entorno e as práticas sustentáveis.

Embora Edna e Maria Gabrielly afirmem que a Casa de Sal é a primeira do mundo a utilizar garrafas de vidro dessa forma, essa afirmação carece de confirmação independente. Estruturas semelhantes já foram vistas em construções antigas, como no templo Wat Pa Maha Chedi Kaew, na Tailândia. Contudo, o que realmente importa é a transformação do que era considerado resíduo em uma moradia inovadora e sustentável.

O conceito de “resíduo” é frequentemente uma questão de perspectiva. As garrafas que antes eram descartadas agora fazem parte de uma casa, simbolizando a possibilidade de criar algo novo a partir do que muitos consideram inútil.

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