Oito anos de mandato revelam lições sobre a prática política
Iniciativas de políticas públicas em São Paulo buscam transformar desafios em soluções eficazes.
Ao ingressar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, há quase oito anos, trouxe comigo convicções formadas ao longo da minha trajetória política, inspiradas por líderes que admiro, como Marina Silva. Uma dessas convicções é que boas políticas públicas não surgem prontas em gabinetes; elas requerem escuta, evidências, diálogo e vontade de se concretizar para impactar positivamente a vida das pessoas.
Um exemplo claro dessa abordagem surgiu diante de uma preocupação crescente nas escolas: a conexão excessiva de crianças e adolescentes aos celulares, que resultava em um distanciamento das relações interpessoais, da sala de aula e do processo de aprendizagem. Educadores relataram dificuldades de concentração, e estudos mostraram os efeitos negativos do uso excessivo de telas na aprendizagem e na saúde mental dos alunos.
Reconhecendo que essa questão afetava a rotina escolar, decidimos que o poder público precisava assumir sua responsabilidade. A partir dessa escuta e das evidências coletadas, foi criada uma lei que restringiu o uso de celulares nas escolas públicas e privadas de São Paulo. A proposta enfrentou resistências e exigiu diálogos tanto dentro quanto fora da Assembleia, mas tornou-se lei. Esse debate rapidamente se espalhou pelo país, culminando na criação de uma legislação nacional que também restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras.
Essa conquista é motivo de orgulho, não apenas por São Paulo ter antecipado uma discussão nacional, mas porque ela reflete a necessidade de coragem política para enfrentar novos desafios, mesmo quando as soluções não são imediatamente evidentes.
Com esse mesmo espírito, colocamos a infância no centro do nosso mandato. Recentemente, transformamos em lei a garantia da amamentação nas creches públicas e privadas do estado. Essa medida reconhece que proteger a primeira infância envolve criar condições para que mães e crianças exerçam esse direito, mesmo após o retorno da mãe ao trabalho.
Na esfera ambiental, temos trabalhado para transformar a emergência climática em ações concretas. Destinamos emendas para viabilizar, em parceria com o Instituto Democracia e Sustentabilidade e a Secretaria de Meio Ambiente, o monitoramento do desmatamento nos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo.
Além disso, aprovamos uma lei que garante o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos gerados em grandes eventos públicos e privados, que ainda aguarda regulamentação do governo estadual.
Acredito firmemente que a população deve participar das decisões políticas, especialmente no que diz respeito ao orçamento público. Por isso, criamos o Edital das Marinas, que visa trazer participação e transparência na destinação das emendas parlamentares, contrapondo-se às distorções observadas, especialmente nas emendas federais. Neste ano, 275 projetos foram habilitados, e 20 foram selecionados para receber R$200 mil cada, após votação popular.
É essa experiência que pretendo levar adiante, ampliando o que aprendemos sobre infância, adaptação climática, cuidado e participação. Após oito anos, mantenho a crença de que uma boa política é aquela que escuta, enfrenta desafios e cuida das pessoas, passo a passo. É com esse propósito que desejo continuar.