Decisões sobre o que sua avó compartilha são discutidas

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Estudo revela a realidade sobre a disseminação de fake news entre idosos

A disseminação de informações falsas, especialmente entre os idosos, é um tema amplamente debatido, mas novas pesquisas desafiam essa percepção comum.

Um estudo realizado com cerca de 2.500 adultos nos Estados Unidos e no Brasil demonstrou que as pessoas idosas não são necessariamente piores em distinguir notícias verdadeiras de falsas. O que realmente se altera com a idade é a influência do vínculo partidário, levando-os a compartilhar informações que confirmam suas crenças, independentemente de sua veracidade.

A ideia de que os idosos são os principais propagadores de fake news ganhou força após a eleição americana de 2016, quando se observou que esse grupo compartilhou mais notícias falsas no Facebook. No entanto, a mesma pesquisa revelou que, entre os maiores de 65 anos, apenas 11% repassaram links falsos, em comparação com 3% entre os mais jovens.

Contrariando a visão de que os idosos são as principais vítimas de golpes virtuais, um levantamento com 2.000 adultos acima de 60 anos mostrou que aproximadamente dois terços deles verificam a fonte das informações, leem comentários e buscam corroborar com outros veículos de comunicação antes de acreditar em algo.

Essa percepção errônea de que os idosos são ingênuos em relação ao ambiente digital desvia a atenção do verdadeiro problema: a produção de desinformação. A inteligência artificial facilitou a criação de conteúdos falsos, tornando a disseminação de mentiras mais acessível e abrangente do que nunca.

Para mitigar essa situação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou regras que exigem que qualquer propaganda gerada ou alterada por inteligência artificial informe claramente que foi criada por essa tecnologia. Além disso, definiu o que caracteriza um deepfake e quando sua utilização é proibida.

É crucial reconhecer que a estrutura de proteção proposta parte de uma premissa equivocada: a de que existe um público ingênuo a ser protegido. As pesquisas indicam que os idosos conseguem diferenciar entre o verdadeiro e o falso, mas optam por compartilhar conteúdos que se alinham às suas crenças.

Enquanto continuarmos a tratar o problema como uma questão de fragilidade, em vez de convicção, estaremos protegendo indivíduos que não desejam essa tutela, enquanto a produção de mentiras continua sem controle. A verdadeira questão não é como proteger os idosos, mas sim por que preferimos vê-los como enganados, ao invés de reconhecer que estão cientes do que compartilham.

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