CGI.br considera IA generativa o maior desafio para as eleições de 2026

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Guia do CGI.br destaca desafios da IA nas eleições de 2026.

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou o Guia Internet, Eleições e Democracia – volume II, que aborda a inteligência artificial (IA) generativa como um dos principais desafios informacionais para o ciclo eleitoral de 2026.

Dividido em cinco partes, o guia amplia a discussão iniciada em 2018 com o primeiro volume. A publicação explora o funcionamento das plataformas digitais, seus sistemas de recomendação, e os riscos associados às deepfakes e ao uso de chatbots na disseminação de informações eleitorais. O material está disponível para download gratuito no site do CGI.br.

IA generativa e deepfakes no centro do debate

A popularização da IA generativa possibilita a criação de imagens, áudios e vídeos sintéticos de alta qualidade, acessíveis a qualquer usuário, independentemente de conhecimento técnico. O guia enfatiza que a campanha de 2026 representa uma nova fase na desinformação eleitoral devido a essa realidade.

O documento ressalta que a popularização da IA generativa é um dos principais desafios, com potencial disruptivo significativo para o cenário informacional. A disseminação de deepfakes nos últimos anos facilitou a produção de conteúdos desinformativos realistas, tornando a campanha de 2026 um marco na desinformação eleitoral, caracterizada pela ampla criação de conteúdos sintéticos.

Em resposta a esse contexto, o guia apresenta as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de IA na propaganda eleitoral. A Resolução nº 23.755/2026 impõe restrições à publicação e ao impulsionamento de conteúdos gerados ou alterados por IA durante as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem cada turno de votação.

Chatbots e interferência eleitoral

O documento também analisa os riscos associados aos chatbots como fontes de informação eleitoral. Diferentemente dos mecanismos de busca tradicionais, esses sistemas conversacionais reorganizam informações de maneira personalizada, aumentando sua persuasão e reduzindo a transparência sobre suas origens.

Estudos indicam que esses modelos podem influenciar a opinião dos eleitores de forma mais impactante do que campanhas convencionais. Apesar da Resolução nº 23.755/2026 proibir que ferramentas de IA ranqueiem ou priorizem conteúdos sobre candidatos, pesquisas mostraram que cerca de 90% das respostas geradas sobre temas eleitorais apresentam algum nível de interferência.

Algoritmos e plataformas digitais

O guia adverte que as plataformas digitais não são meios neutros de circulação de informação. Com modelos de negócios baseados em publicidade direcionada, essas empresas tendem a priorizar conteúdos que geram maior engajamento, frequentemente em detrimento da qualidade informativa.

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, destaca a importância da publicação, afirmando que as plataformas digitais desempenham um papel central na forma como os brasileiros se informam. Ela enfatiza que essas são empresas privadas com objetivos econômicos, e não necessariamente voltadas para o interesse público. Compreender o funcionamento dessas plataformas e o impacto que têm no debate público é essencial para fortalecer a integridade da informação e a democracia.

Mielli também aponta que a relevância do guia vai além do período eleitoral, já que a desinformação é um problema sistêmico. O guia inclui orientações para que os cidadãos evitem ser vítimas ou propagadores de conteúdos falsos, além de um capítulo final com fontes e referências para aprofundamento nos temas tratados.

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