Estudo aponta aumento na utilização de inteligência artificial em atendimento e comunicação nas prefeituras
Estudo revela avanço da inteligência artificial nas prefeituras brasileiras.
A edição mais recente do ‘Panorama da Gestão Pública Municipal’, realizada pela Softplan com a participação de 1.290 servidores municipais, indica que 26% das prefeituras já implementam soluções baseadas em inteligência artificial (IA). As áreas de Atendimento ao Cidadão e Comunicação Institucional se destacam como principais setores de aplicação dessas tecnologias.
Durante a Semana Caldeira, em Porto Alegre, um painel discutiu os desafios da digitalização dos serviços públicos. Especialistas enfatizaram a necessidade de considerar não apenas as tecnologias utilizadas, mas também como cidadãos e servidores acessam e utilizam essas soluções. O levantamento reforça a importância dessa abordagem.
Democratização do acesso
O Atendimento ao Cidadão foi identificado por 37% dos entrevistados como a área com mais dificuldades para a digitalização. Em seguida, aparecem saúde (27%), gestão de documentos (23%) e recursos humanos e obras e engenharia, ambos com 19% de menções.
As especialistas destacaram que a transformação digital no setor público deve partir da realidade dos usuários. Isso implica em considerar não apenas a tecnologia, mas também os canais de atendimento, as interfaces e a linguagem utilizada na comunicação. Para Delza, a escolha de soluções que não considerem as condições de acesso da população pode acentuar desigualdades existentes.
“É fundamental pensar em um canal que democratize o acesso ao serviço público, caso contrário, a digitalização se tornará uma nova forma de desigualdade”, alertou. Além disso, abordaram as diferentes condições enfrentadas pelos usuários, como limitações de acesso à internet e conhecimento digital.
A discussão sobre acessibilidade digital também ressaltou a importância de ouvir cidadãos e servidores. Delza afirmou que empresas que desenvolvem tecnologia para o setor público devem entender tanto as responsabilidades das instituições quanto as dificuldades enfrentadas por quem utiliza os serviços.
Laboratório de Inovação do TJRS
No âmbito do Judiciário, a construção de soluções envolve diversos públicos. Rafaella destacou a importância de envolver cidadãos, servidores e magistrados na identificação de problemas e na formulação de respostas. O objetivo é evitar que sistemas sejam criados a partir de uma visão limitada, o que pode resultar em baixa utilização ou em soluções que não atendam às necessidades reais.
A linguagem também foi apontada como uma dimensão crucial da acessibilidade. Disponibilizar uma decisão judicial online, por exemplo, não garante que o cidadão compreenda seu significado e implicações. No TJRS, iniciativas do Laboratório de Inovação buscam simplificar textos e capacitar os responsáveis pela elaboração de documentos.
A proposta é aumentar a clareza na comunicação do Judiciário desde a criação dos documentos. “A linguagem simples é uma forma de garantir transparência”, afirmou Delza.
Durante a discussão, foi mencionada uma iniciativa do Labee, que desenvolve uma ferramenta de IA para simplificar sentenças jurídicas. Rafaella explicou que a plataforma retornou ao laboratório para ajustes após apresentar problemas, destacando a importância de testar e aprimorar soluções antes de sua implementação definitiva.