Próxima transformação será organizacional, afirma presidente da Avanade Brasil no Especial IT Forum 35 anos
A transformação digital se torna estratégica com a ascensão da inteligência artificial generativa.
Durante anos, a transformação digital foi vista como uma simples modernização, envolvendo a migração de sistemas para a nuvem, automação de processos e integração de dados. Embora esses aspectos continuem sendo essenciais, a introdução da inteligência artificial generativa (GenAI) alterou significativamente essa perspectiva.
O foco da transformação digital agora vai além da tecnologia, abrangendo questões estratégicas, organizacionais e humanas. Os líderes empresariais enfrentam um novo desafio: não se trata apenas de aplicar IA nas operações existentes, mas de reimaginar como a inteligência artificial pode redefinir a maneira como trabalhamos, tomamos decisões e criamos valor.
Com o advento de agentes de IA, a tecnologia evolui para não apenas responder perguntas ou gerar conteúdo, mas para organizar informações, planejar tarefas, apoiar decisões e executar fluxos de trabalho com variados níveis de autonomia. À medida que a autonomia dos sistemas aumenta, a necessidade de clareza sobre intenção, governança e supervisão se torna ainda mais crítica.
A verdadeira vantagem competitiva não reside apenas em “usar IA”, mas na capacidade de operar com ela de maneira segura, integrada e responsável. Enquanto o uso de IA pode se limitar a testes de ferramentas em busca de produtividade pontual, operar com inteligência artificial requer uma reestruturação de processos, governança, cultura, arquitetura tecnológica e modelos de decisão.
A próxima fronteira será humana
Portanto, a IA não pode ser vista apenas como uma agenda tecnológica, mas como uma prioridade para os CEOs. Isso não implica que todos os líderes precisem ser especialistas técnicos, mas sim que as decisões mais impactantes são de natureza empresarial: determinar onde automatizar, onde manter o julgamento humano, como proteger dados, preparar pessoas e transformar eficiência em crescimento sustentável.
A tecnologia tem o potencial de ampliar capacidades, mas não substitui a liderança. Em empresas com processos fragmentados, a IA pode intensificar essa fragmentação. Com dados desorganizados, os limites se tornam evidentes. Sem uma governança adequada, a velocidade da implementação pode se tornar um risco.
Por outro lado, com uma intenção clara, a IA pode ir além da mera produtividade, ajudando as empresas a reinventar suas propostas de valor, criar experiências personalizadas e acelerar o desenvolvimento de produtos.
A inteligência artificial não transforma negócios sozinha; ela expande a capacidade humana de imaginar, decidir e construir. O papel dos colaboradores se desloca para atividades de maior valor, como desenhar novos modelos, formular melhores perguntas, interpretar contextos e estabelecer confiança.
O uso de cloud e dados se torna uma infraestrutura estratégica, deixando de ser meramente técnico. Sem ambientes modernos, seguros e bem governados, a IA tende a ficar restrita a projetos piloto. Para escalar a inteligência artificial, é necessário um foco em arquitetura, integração e operação contínua.
O Brasil possui uma oportunidade significativa nesta fase. O país conta com talento, criatividade e capacidade de adaptação, além de enfrentar desafios reais em escala, criando um ambiente propício para a aplicação responsável da tecnologia.
No entanto, é fundamental avançar com maturidade. A inteligência artificial generativa e os agentes autônomos irão redesenhar funções, pressionar modelos de negócios e exigir novas competências, além de intensificar discussões sobre privacidade, segurança, vieses e o impacto no trabalho.
Não existem respostas simples para essas questões, mas um caminho responsável envolve experimentar, medir, aprender, governar e escalar. É preciso agir sem ingenuidade, evitando a paralisia e não tratando a tecnologia como um fim em si mesma.
Em última análise, o futuro será menos sobre tecnologia e mais sobre a intenção: decidir o que automatizar, preservar o que deve permanecer humano, criar organizações produtivas e responsáveis, e utilizar a IA não apenas para eficiência, mas como um instrumento de reinvenção.
A próxima transformação será liderada por aqueles que conseguirem redesenhar suas organizações com clareza, coragem e responsabilidade.