Lula afirma que presidencialismo no Brasil foi sequestrado
Lula critica relação entre Executivo e Legislativo e pede reforma política.
O presidente Lula, candidato à reeleição, expressou sua preocupação com a relação entre o Executivo e o Legislativo no Brasil, afirmando que o presidencialismo foi “sequestrado” por mudanças estruturais. Ele defendeu a necessidade de uma reforma política após as eleições.
Durante uma entrevista, Lula abordou a influência excessiva do Congresso sobre as agências reguladoras e questionou o controle que parlamentares exercem sobre os recursos públicos por meio de emendas. Ele também revelou uma mudança em sua postura em relação ao Fundo Partidário e ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
O presidente destacou que, anteriormente, era um defensor dessas ferramentas, mas agora as considera responsáveis por criar uma “promiscuidade” na política. “Eu, que fui defensor do fundo partidário e do fundo eleitoral, hoje sou taxativamente contra. Acho que levou os partidos políticos a uma coisa chamada promiscuidade”, afirmou.
Lula manifestou sua intenção de trabalhar para acabar com o atual modelo de financiamento público das campanhas e dos partidos, caso tenha a oportunidade. Ele também comentou sobre a perda de capacidade decisória do Executivo ao longo das últimas décadas, atribuindo parte dessa mudança à criação e ao fortalecimento das agências reguladoras durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
O presidente lembrou que, na concepção original, as agências reguladoras deveriam atuar separadamente da formulação de políticas públicas. “Quando o Fernando Henrique Cardoso criou as agências, as agências eram reguladoras. O governo definia a política pública e as agências regulavam. No governo Bolsonaro, o Congresso tomou conta das agências. Tem muita gente nas agências que são representantes de empresários, indicado por senadores, o que é um equívoco enorme”, concluiu.