EUA enviam drones para monitorar o maior El Niño já registrado no Pacífico
Quatro drones marítimos são enviados para monitorar o El Niño no Pacífico equatorial.
Em 21 de agosto, dois veleiros de sete metros partiram de Honolulu em direção ao Pacífico equatorial, acompanhados por outros dois navios que haviam saído na semana anterior. Eles estão a cerca de 2.400 quilômetros de distância, em uma região predominantemente oceânica, que se torna crucial para a compreensão das dinâmicas climáticas atuais.
É importante ressaltar que não há tripulação a bordo desses navios. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) lançou recentemente quatro drones, que desempenham um papel fundamental na coleta de dados no mar.
A missão de quatro meses e 9.700 quilômetros foi motivada pela iminente chegada de um El Niño significativo, conforme destacado por especialistas em oceanografia. A NOAA busca investigar mais de perto os fenômenos associados a esse evento climático, que pode ter impactos globais significativos.
Os drones têm a tarefa de medir em tempo real as condições na principal área de monitoramento do El Niño. Apesar dos avanços nas tecnologias de monitoramento, ainda há lacunas na coleta de dados sobre temperatura da água, vento, umidade, radiação e correntes oceânicas, que esses drones podem registrar até uma profundidade de 75 metros.
Esses dados são essenciais para entender o que a NOAA se refere como “motor do El Niño”, que é a quantidade de calor que o oceano libera na atmosfera, influenciando a circulação atmosférica em larga escala.
A NOAA já utiliza drones desde 2017 para monitorar o Pacífico equatorial. Em 2024, por exemplo, foi possível observar como essa região apresenta um aquecimento sutil, mas irregular, que é relevante, pois o Pacífico equatorial é uma importante fonte natural de CO₂. Compreender essa dinâmica se torna cada vez mais crucial.
Atualmente, o El Niño tende a reduzir a ressurgência e, consequentemente, as emissões de CO₂, o que torna o estudo dessa fase intensa do fenômeno ainda mais relevante.
Historicamente, a falta de monitoramento no Pacífico durante o grande El Niño de 1982 levou a surpresas significativas. Embora a tecnologia de monitoramento estivesse disponível, uma rede de bóias instalada começou a falhar, resultando em uma cobertura insuficiente. Os drones surgiram como uma solução para preencher essa lacuna e melhorar a coleta de dados.
Embora os drones não sejam capazes de alterar as previsões climáticas imediatas, eles oferecem uma oportunidade valiosa para entender melhor os fenômenos associados ao El Niño. Com uma probabilidade de 90% de que este evento seja intenso, a coleta de dados se torna ainda mais crítica.
Nos próximos anos, a verdadeira utilidade desses drones será evidente, especialmente em um mundo que enfrenta um aquecimento acelerado. Cada informação coletada pode contribuir significativamente para a compreensão das mudanças climáticas.