União Europeia vê liberação da carne brasileira como improvável antes de dois anos, afirma representante ao g1

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Desafios e oportunidades para a carne bovina brasileira na União Europeia

A União Europeia (UE) enfrenta dificuldades para reabilitar o Brasil na lista de países autorizados a exportar carne bovina, conforme declarado pelo chefe-adjunto da Delegação da UE no Brasil, Jean-Pierre Bou. Ele destacou que a situação atual não deve mudar em menos de dois anos.

Os exportadores brasileiros têm solicitado ao governo federal a negociação de um período de transição para facilitar a retomada das exportações. No entanto, até o momento, a UE não demonstrou abertura para essa possibilidade.

“Em princípio, parece difícil, mas eu sei que todos os atores nesta discussão estão fazendo o possível para encontrar formas de sair desta problemática o mais rapidamente possível”, afirma Bou.

Em evento recente, Bou abordou a imagem do Brasil na Europa e enfatizou a necessidade de continuar os esforços contra o desmatamento. Ele ressaltou que essa é uma condição essencial para melhorar a percepção do país no mercado europeu.

Além disso, ele comentou sobre a preparação do Brasil para cumprir a nova lei antidesmatamento da UE e as oportunidades que surgem com o acordo do Mercosul.

Veto à carne bovina

No dia 3 de setembro, a UE suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil, uma medida anunciada em maio após a exclusão do país da lista de nações que cumprem as normas sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são proibidas para estimular o crescimento, e a UE exige comprovação de que não foram utilizadas durante toda a vida do animal, o que representa um desafio significativo.

Bou afirmou que a retomada das exportações será lenta, pois a UE requer auditorias rigorosas. No entanto, ele observou que outros setores, como o de frango e mel, conseguiram auditorias rápidas e resultados positivos, permitindo a retomada das exportações.

Ele reconheceu a frustração dos brasileiros, mas destacou que o acordo com o Mercosul trouxe novas oportunidades. Nos primeiros meses de sua implementação, as exportações de produtos agrícolas, como uvas e café, aumentaram significativamente.

As exportações de café do Brasil para a UE cresceram 10,9% em volume até agosto, em comparação ao mesmo período do ano anterior, demonstrando o potencial de crescimento à medida que as tarifas do acordo são reduzidas.

Imagem do Brasil e lei antidesmatamento

Para melhorar a imagem do Brasil na Europa, Bou enfatizou a importância de manter as medidas ambientais adotadas nos últimos anos, incluindo as disposições do Código Florestal. Ele destacou que é crucial demonstrar o compromisso contínuo do país com essas iniciativas.

O uso de áreas degradadas para expandir a produção agrícola foi outra sugestão apresentada por Bou. Ele mencionou que existem muitas áreas já desmatadas que podem ser utilizadas para aumentar a produção sem comprometer a agenda ambiental.

“Há muitas áreas que já foram desmatadas, que estão degradadas e que têm potencial para o Brasil continuar aumentando sua produção agrícola utilizando esses espaços”, disse.

A questão se torna ainda mais relevante com a proximidade da entrada em vigor da lei antidesmatamento da UE, que exigirá rastreabilidade dos produtos importados. Bou comentou que a preparação do Brasil para essas exigências varia entre setores e regiões, sem generalizações aplicáveis a todo o país.

Ele observou que, enquanto o setor de café está bem preparado, a carne bovina enfrenta maiores desafios devido à complexidade de rastrear a cadeia produtiva.

Bioeconomia pode abrir novos mercados

Bou também vê na bioeconomia uma oportunidade significativa para aumentar a presença de produtos brasileiros na Europa. Ele mencionou que há espaço para itens menos conhecidos, além do açaí, que é o mais famoso da região amazônica.

“Acho que o produto mais conhecido da bioeconomia da Amazônia é o açaí, mas tem muitos outros produtos, muitas frutas, peixes, muitas possibilidades que ainda não são muito conhecidas”, afirmou.

As oportunidades na bioeconomia não se limitam a alimentos; Bou destacou o potencial de produtos brasileiros nas indústrias de cosméticos e medicamentos. Ele também mencionou programas de cooperação da UE voltados para o desenvolvimento da bioeconomia, incluindo uma iniciativa no

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