Granja em SC diversifica produção com criação de codornas para carne e exporta 50% da produção
Carne de codorna ganha destaque na gastronomia e mercado externo.
O ovo de codorna é amplamente utilizado em saladas, petiscos e conservas, mas a carne da ave também vem conquistando espaço no mercado. No oeste de Santa Catarina, uma propriedade se destaca por abater entre 15 mil e 16 mil codornas diariamente, com metade da produção destinada à exportação.
Na região, a carne de codorna já faz parte do cardápio de diversos restaurantes. Um exemplo é o município de Arvoredo, onde a codorna recheada é uma especialidade da chef Marta Bianchin, que a prepara no fogão a lenha.
O recheio da codorna é uma mistura saborosa que inclui carne bovina, queijo ralado, milho, azeitona e farinha de rosca para dar consistência. É importante deixar espaço no interior da ave durante o preenchimento, pois a mistura aumenta de volume ao cozinhar.
As codornas devem ser cuidadosamente acomodadas na panela para evitar que o recheio escape. De acordo com Marta, a gordura natural da carne é suficiente para o preparo, que leva aproximadamente duas horas e meia, dependendo da intensidade do fogo.
Um dos segredos do prato está no caldo liberado pelas aves. A cozinheira retira o líquido e o apura com temperos como alho-poró, cebolinha, salsa, cebola e bastante alho, devolvendo-o às codornas para intensificar o sabor e a cor do prato.
O caminho até chegar à cozinha
A carne de codorna passa por um rigoroso processo de produção antes de chegar às mãos dos cozinheiros. Na propriedade de Coronel Freitas, todos os funcionários e visitantes devem tomar banho e trocar de roupa ao entrar nas instalações, e os veículos passam por desinfecção.
Essa propriedade começou a criação de codornas de corte há cinco anos, focando na produção de aves para abate, sem destinar os ovos para alimentação.
No setor de reprodução, chamado matrizeiro, machos e fêmeas são mantidos juntos para a produção de ovos férteis, com cada gaiola abrigando 40 aves, sendo 31 fêmeas e nove machos.
A equipe recolhe cerca de 3.500 ovos diariamente em um dos barracões, com a coleta ocorrendo quatro vezes ao dia, exigindo cuidado para evitar rachaduras.
Para garantir a produtividade, o ambiente é mantido entre 20°C e 25°C, com iluminação de 16 a 18 horas por dia. As aves têm acesso a água e ração específica para a fase de postura, disponível o dia todo.
Esses cuidados resultam em uma taxa de 90% de ovos viáveis, segundo a equipe da propriedade.
Cuidados na engorda das codornas
A criação é composta por codornas europeias, conhecidas por seu rápido crescimento e destinadas à produção de carne. Nos primeiros dias, elas recebem ração rica em proteínas, feita com milho, farelo de soja, cálcio e minerais.
A alimentação das codornas é dividida em quatro fases: pré-inicial, inicial, crescimento e final, com a proporção de proteína diminuindo à medida que as aves se desenvolvem e os carboidratos se tornam mais presentes na dieta.
A temperatura do ambiente é ajustada conforme o crescimento das aves, começando em torno de 35°C no primeiro dia e reduzindo gradualmente até chegar a 22°C.
Durante a fase de engorda, as luzes permanecem acesas 24 horas por dia, o que estimula o consumo de água e ração até que as aves atinjam o peso ideal.
Mercado externo prefere codornas menores
No momento do abate, o critério utilizado é o peso, sem distinção entre machos e fêmeas. As codornas são comercializadas inteiras, pesando 100, 150 e 200 gramas.
As menores, de 100 e 150 gramas, são destinadas ao mercado externo, enquanto as de 200 gramas são vendidas no Brasil, onde há preferência por aves com maior volume de carne.
O frigorífico abate entre 15 mil e 16 mil codornas diariamente, com metade da produção abastecendo o mercado brasileiro, especialmente na Região Sul, Nordeste e Distrito Federal, e a outra metade exportada, principalmente para