Lula critica novamente as apostas esportivas e afirma que se tornaram um problema para a população mais pobre
Presidente Lula critica casas de apostas e defende alternativas para clubes de futebol.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar sua oposição às casas de apostas, responsabilizando-as pelo impacto negativo na renda das famílias de baixa renda. Em declarações recentes, ele se posicionou contra as reclamações de clubes de futebol que sofreram perdas financeiras devido à proibição das plataformas de apostas.
Lula reconheceu que a proibição gerou descontentamento entre os setores afetados, mas reafirmou sua determinação em não ceder à pressão. “Enquanto eu for presidente, não vamos permitir que o leite, o pão, o feijão da família sejam utilizados para enriquecer outros”, afirmou.
Críticas aos clubes de futebol
O presidente também direcionou críticas aos dirigentes esportivos que expressaram preocupação com a perda de receitas. Ele desconsiderou os argumentos de que a proibição poderia levar à falência do futebol. “Os times de futebol não têm razão ao afirmar que o futebol vai morrer”, disse Lula.
Ele lembrou que a seleção brasileira conquistou seus cinco títulos mundiais antes do surgimento das casas de apostas e citou as conquistas internacionais de clubes como Flamengo, São Paulo, Grêmio, Internacional e Corinthians para ilustrar que o sucesso do futebol brasileiro não depende desse setor.
Lula questionou ainda a relação financeira entre os clubes e seus torcedores, criticando a prática de extorquir os fãs que já investem dinheiro para assistir aos jogos nos estádios.
Como alternativa à dependência das apostas, o presidente sugeriu que os clubes adotem modelos empresariais mais sustentáveis, como a transformação em sociedades anônimas do futebol (SAFs). Ele destacou que a profissionalização das equipes é um debate que ocorre há décadas. “Por que não estão se transformando? Porque encontraram facilidade no cassino”, observou.
Proibição das bets
No dia 25 de setembro, Lula assinou a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa em todo o Brasil. Essa decisão abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, incluindo plataformas que anteriormente tinham autorização do Ministério da Fazenda.
As empresas tiveram até 5 de outubro para encerrar suas operações e retirar campanhas publicitárias, com a suspensão das plataformas ocorrendo a partir do dia 6. A medida também exige a devolução dos valores mantidos nas contas dos apostadores.
A proibição gerou resistência entre empresas do setor e clubes de futebol, que alegam prejuízos financeiros e insegurança jurídica. Entidades representativas recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender os efeitos da Medida Provisória, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva.