Presidente do partido de Flávio confirma plano de golpe de estado e provoca: ‘E daí?’

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Valdemar Costa Neto admite discussões sobre golpe após eleições de 2022

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que houve debates sobre um golpe de Estado no final do governo de Jair Bolsonaro, após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Apesar dessa admissão, ele minimizou a articulação e contestou as condenações do Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações ocorreram durante uma entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha. Valdemar afirmou: “Discutiram de dar o golpe. Tudo bem, discutiram. E daí? Discutiram, mas não deram golpe”, referindo-se às conversas entre membros das Forças Armadas após o resultado das eleições.

Quando questionado se reconhecia o planejamento de um golpe, Valdemar confirmou: “Não tenha dúvida”. Ele argumentou que discutir uma ação não implica necessariamente em sua execução, questionando: “Quanto planejamento você não faz que você vê depois que está errado e você para no meio da ação?”.

Durante a entrevista, Valdemar também foi indagado sobre a possibilidade de novas articulações golpistas em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que está em disputa no segundo turno contra Lula. Ao ser perguntado sobre garantias de que uma situação semelhante não se repetiria, ele respondeu: “Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento”.

Entretanto, ele acrescentou que as consequências enfrentadas por Jair Bolsonaro desestimulariam tentativas similares, afirmando: “Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”.

Os apresentadores do programa expressaram preocupação com as respostas de Valdemar, que elevou o tom de voz ao afirmar que uma iniciativa militar não teria apoio político. Ele também negou a participação de Jair Bolsonaro em qualquer tentativa de golpe, afirmando que um general que tentasse agir sozinho não teria respaldo.

Embora tenha reconhecido as discussões sobre uma ruptura institucional, Valdemar insistiu que não houve golpe de Estado e criticou as decisões judiciais relacionadas ao caso. Ele declarou: “Jamais poderiam ter condenado esse pessoal que condenaram, porque não houve golpe. Golpe não se faz com pedaço de pau, se faz com metralhadora, com canhão”.

Valdemar defendeu ainda a concessão de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília. Para ele, o planejamento de um golpe não deveria ser considerado crime se a ação não foi executada.

A interpretação de Valdemar contrasta com a decisão do STF, que condenou Jair Bolsonaro por sua participação em uma tentativa de golpe. Em setembro de 2025, o ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, incluindo golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Valdemar também foi questionado sobre a possibilidade de Lula vencer o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Ele afirmou que o resultado das urnas seria respeitado: “Lógico, sempre foi. Eu sempre respeitei as urnas”.

Apesar de alguns membros da direita questionarem o sistema eleitoral, Valdemar nunca teve dúvidas sobre o funcionamento das urnas eletrônicas. Em novembro de 2022, o PL apresentou questionamentos sobre o processo eleitoral, mas em depoimento à Polícia Federal, Valdemar alegou ter sido “obrigado” por Jair Bolsonaro a contestar os resultados.

Durante a entrevista, ele mencionou que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, ele pretende adotar medidas para libertar o pai e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Essas iniciativas, segundo Valdemar, poderiam ser implementadas desde o primeiro dia de um eventual governo.

Valdemar negou, no entanto, que a libertação do ex-presidente seja o principal objetivo da candidatura de Flávio Bolsonaro, em meio à disputa presidencial contra Lula marcada para 25 de outubro.

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