Nova prisão de Márcio Canella pela PF no Rio é fundamentada em investigações
Márcio Canella é preso novamente por suspeitas de envolvimento em organização criminosa no Rio de Janeiro.
A prisão preventiva de Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo União Brasil, ocorreu no Rio de Janeiro na quinta-feira, 15. A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, devido ao suposto envolvimento do político em uma organização criminosa que estaria lavando dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis.
Na sua decisão, Moraes destacou indícios que sugerem o recebimento de vantagens financeiras, influência sobre agentes públicos e laços com o crime organizado. Canella é conhecido por sua proximidade com Flávio Bolsonaro, do PL, no estado do Rio.
A decisão do ministro aponta que a posição de liderança de Canella, associada a evidências de recebimento de vantagens indevidas e sua influência sobre agentes públicos, representa um risco concreto à ordem pública e à eficácia das investigações. Moraes enfatizou que esses fatores justificam a necessidade de sua prisão.
Entre os elementos que sustentam a decisão estão anotações manuscritas encontradas em endereços de outros investigados, que associam o nome “Canella” à movimentação de dinheiro de postos de combustíveis relacionados ao crime organizado. Os investigadores acreditam que essas anotações indicam repasses recorrentes ao deputado.
Além disso, a decisão menciona transferências de cerca de 1,4 milhão de reais feitas entre maio de 2025 e abril de 2026 pela empresa Brumar Empreendimentos e Participações a Canella, que é sócio da empresa. A análise financeira não conseguiu determinar a origem desse montante, levantando mais suspeitas sobre suas atividades financeiras.
Outro aspecto relevante da investigação é a suposta influência de Canella na ocupação de cargos estratégicos na administração pública estadual. De acordo com as evidências reunidas pela Polícia Federal, ele teria desempenhado um papel significativo na ascensão de Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, a posições de liderança no governo fluminense, levantando questões sobre se esses agentes públicos estariam favorecendo os interesses da organização criminosa.
Canella, que foi prefeito de Belford Roxo e renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, era visto como uma aposta de Flávio Bolsonaro para a chapa bolsonarista no estado. Em abril, Bolsonaro gravou um vídeo de apoio a Canella, elogiando sua competência e amizade.
A decisão de Moraes também leva em conta a apreensão de armamento de alto calibre em uma fase anterior da Operação Unha e Carne. Embora o ministro considere esse fator como parte do contexto, ele não é determinante por si só, mas contribui para a avaliação da periculosidade do investigado e a necessidade de interromper suas atividades criminosas.
Os indícios não sugerem apenas uma possível participação financeira de Canella no esquema, mas também indicam que sua posição política poderia facilitar a articulação entre empresários e agentes públicos, permitindo a continuidade das atividades ilícitas. A prisão preventiva foi determinada para proteger a ordem pública e a eficácia das investigações.
A investigação aponta que a organização criminosa teria movimentado mais de 7,6 bilhões de reais em seis anos, concentrando suas atividades no setor de combustíveis. Na oitava fase da Operação Unha e Carne, realizada na quinta-feira, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A Justiça também ordenou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas ao esquema, sendo 96 delas postos de combustíveis.