Ônibus da Nutella provoca agitação em Barolo

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Transformações na vinícola Fontanafredda marcam a história do Barolo

Nas colinas do Piemonte, durante a década de 1980, os ônibus que transportavam trabalhadores tinham um apelido peculiar. Roberto Bruno, diretor comercial da Fontanafredda, recorda que os veículos, com a cor do famoso chocolate Ferrero Rocher, eram conhecidos como Super Crema. Esses ônibus levavam jovens dos vilarejos até a fábrica de chocolate em Alba, enquanto outros se dirigiam para as linhas de montagem da Fiat em Turim. Bruno, que atua na região há 40 anos, destaca que muitos desejavam deixar o Piemonte.

O apelido Supercrema remete ao famoso creme de avelã e cacau lançado pela Ferrero em 1949, que mais tarde se tornaria conhecido como Nutella. A empresa implementou um serviço de transporte gratuito para os trabalhadores que viviam fora de Alba, criando uma conexão importante entre a vinícola e a comunidade local. Na memória de Bruno, esses ônibus transportavam jovens em busca de oportunidades, enquanto as vinhas enfrentavam uma grave crise.

Em março de 1986, um escândalo abalou a indústria vitivinícola da região. Garrafas de vinho tinto e branco da cantina Ciravegna foram encontradas com metanol em níveis superiores ao permitido. Essa prática, utilizada para aumentar o teor alcoólico de forma barata, resultou em 23 mortes e 153 intoxicações, levando a vinícola a ser condenada e colocando o Piemonte nas manchetes internacionais associada a tragédias. Esse episódio manchou a imagem da região por um longo período.

Após o escândalo, o Piemonte enfrentou colheitas desastrosas. Anos de chuvas inadequadas afetaram a produção, especialmente em 1991, 1992 e 1994, resultando em vinhos sem a estrutura necessária para envelhecer. Durante esse período, Bruno considerou abandonar a indústria do vinho. A busca por alternativas levou a discussões sobre a possibilidade de misturar uvas para melhorar a qualidade dos vinhos, mas os produtores decidiram manter a pureza do Nebbiolo, preservando assim a tradição.

A história da Fontanafredda está intrinsecamente ligada ao prestígio do Barolo, conhecido como o vinho dos reis. O Barolo foi cultivado nas propriedades reais de Verduno e Pollenzo, onde Carlo Alberto, rei da Sardenha, começou a produzir o vinho em 1849. Após sua abdicação, seu filho, Vittorio Emanuele II, fundou a vinícola em 1858, dedicando-se ao cultivo do Nebbiolo e registrando as terras em nome de seus filhos.

A vinícola foi pioneira ao abrir suas portas ao público em 1887, conquistando medalhas de ouro em competições internacionais. Durante a Primeira Guerra Mundial, a colheita ficou a cargo de mulheres e crianças, enquanto a maioria dos homens estava nas trincheiras. O granizo de 1917 devastou parte da produção, e a empresa passou por mudanças de gestão após a guerra, levando a demissões e à volta de práticas agrícolas arcaicas.

Em 1930, a Fontanafredda enfrentou a falência e, dois anos depois, foi controlada pelo banco Monte dei Paschi di Siena. Com a mudança na gestão, a vinícola começou a vinificar separadamente os melhores crus de Barolo e a buscar uvas de outros produtores, como Bruno Giacosa, que se tornou uma figura respeitada na viticultura italiana.

Nos anos 1980, enquanto concorrentes se estabeleciam como marcas independentes, a Fontanafredda viu sua produção estagnar. Na década seguinte, o nome passou a ser associado a vinhos de supermercado. Em 1996, a gestão do banco reconheceu a necessidade de mudanças e contratou um agrônomo para revitalizar a vinícola. Isso resultou em uma nova abordagem e na criação de espumantes de alta qualidade.

Em 2008, a propriedade foi adquirida por Oscar Farinetti e Luca Baffigo, avaliando a vinícola em 90 milhões de euros. Atualmente, a Fontanafredda possui 120 hectares de vinhedos com certificação orgânica. Bruno observa que a gestão anterior era rígida, enquanto a nova abordagem trouxe flexibilidade e dinamismo ao negócio, facilitando a venda de Barolo e outros vinhos da região.

Em 2016, a tradicional vinícola Vietti foi adquirida por uma família dos Estados Unidos, refletindo a crescente valorização dos vinhos da

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