Futuro da tecnologia depende da humanização, não da dominação, afirma IT Forum em seu 35º aniversário
Reflexões sobre liderança e tecnologia para o futuro.
Esta carta se destina às futuras lideranças, quando os nomes e certezas do presente já tiverem se dissipado.
O leitor pode não ter nascido quando este texto foi redigido. É possível que, em 2026, o conceito de “empresa” tenha evoluído. Termos como “trabalho”, “liderança” e “inteligência” podem ter novos significados. O que se sabe é que alguém decidiu preservar estas palavras como uma cápsula do tempo.
A discussão sobre inteligência artificial (IA) é predominante nas salas de liderança em 2026. A sociedade ainda está aprendendo a distinguir entre uma ferramenta que assiste e uma tecnologia que age, entre automatizar tarefas e reconfigurar processos, e entre eficiência e transformação organizacional.
Isaac Asimov observou que a ciência avança mais rapidamente do que a sabedoria da sociedade. Essa reflexão, embora anterior à era dos modelos de linguagem, ressoa fortemente nos dias atuais. A questão que se coloca é: a distância entre conhecimento e sabedoria foi reduzida?
Não se trata da distância entre o que a tecnologia pode realizar e o que já é feito. Essa diferença é perene. O foco deve estar na relação entre o conhecimento acumulado e a sabedoria necessária para utilizá-lo. É preciso ponderar sobre capacidade e responsabilidade, velocidade e direção, eficiência e propósito.
Atualmente, embora tenhamos acesso a ferramentas poderosas, as escolhas humanas permanecem essenciais: quais problemas devem ser enfrentados, quais riscos são aceitáveis, quais desigualdades podem ser mitigadas e quais limites não devem ser ultrapassados. A tecnologia expande as possibilidades, mas não substitui o discernimento humano.
Escrevo esta carta acreditando que a resposta a essas questões pode ser positiva. A nova geração que adentra o mercado de trabalho não vê a tecnologia como algo a ser adotado, mas como parte da infraestrutura em que foi criada. Essa perspectiva altera as expectativas em relação às empresas, líderes e à própria identidade profissional.
Se essa visão se mostrou verdadeira em seu tempo, é provável que tenham formado organizações mais flexíveis e orientadas a problemas reais. A utilização da tecnologia deve ser para potencializar o que há de melhor nas pessoas, não apenas para acelerar práticas ineficazes. O futuro pertence àqueles que conseguem humanizar a tecnologia.
Se a resposta for afirmativa, esta carta terá cumprido seu propósito. Caso contrário, que ela seja guardada novamente, servindo como um lembrete para as futuras gerações sobre o que significa ser humano.