Empresas devem reformular processos para agregar valor com inteligência artificial, afirma CEO da Framework
A adoção da inteligência artificial nas empresas enfrenta desafios significativos.
A adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas está progredindo rapidamente, mas muitas organizações ainda lutam para converter essa tecnologia em resultados financeiros tangíveis. De acordo com especialistas, o principal desafio não reside nas ferramentas em si, mas na dificuldade de reestruturar processos, alterar a cultura organizacional e preparar lideranças para uma nova dinâmica de trabalho.
Recentemente, em um evento no IT Forum Na Mata, em Itapevi (SP), foi destacado que a chegada da IA agêntica, que permite que sistemas realizem tarefas com diferentes níveis de autonomia, demanda uma transformação mais abrangente do que a simples automação de processos existentes.
Esse debate ocorre em um momento em que as empresas buscam justificar os altos investimentos em tecnologia. Pesquisas indicam que apenas uma pequena fração das organizações é considerada de alto desempenho em IA, sendo que essas atribuem à tecnologia um impacto significativo em seu lucro operacional.
Os avanços nas capacidades das ferramentas de IA criaram uma nova realidade para as equipes de tecnologia, mas também elevaram as expectativas das lideranças empresariais. A questão que se coloca é: por que, mesmo com tantas melhorias, poucas empresas estão obtendo resultados financeiros concretos?
Um estudo revelou que muitas empresas, apesar de estarem acelerando suas operações e implementando novas soluções, ainda não conseguem entregar valor financeiro significativo. Essa situação levanta a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre como as atividades devem ser repensadas à luz da IA, em vez de simplesmente acelerar processos existentes.
O CEO de uma empresa de transformação digital compartilhou experiências sobre como sua organização enfrentou o desafio de integrar a IA. Durante um processo de transformação, diferentes departamentos começaram a desenvolver suas próprias ferramentas, mesmo quando já existiam soluções disponíveis que poderiam atender às suas necessidades.
Essa mudança de paradigma requer investimentos em capacitação e uma revisão dos processos para que a IA e os profissionais possam trabalhar de maneira integrada. A transformação da mentalidade é crucial, pois ter acesso à tecnologia mais avançada não é suficiente se não houver uma mudança na forma como as equipes e os processos operam.
Além disso, a transformação digital também altera as habilidades esperadas dos profissionais de tecnologia. A capacidade de execução rápida, que antes era valorizada, perde importância quando as ferramentas de IA podem realizar grande parte desse trabalho. Em vez disso, habilidades como planejamento, julgamento crítico e compreensão dos objetivos empresariais tornam-se fundamentais.
As lideranças precisam se envolver mais ativamente nas decisões sobre o funcionamento das organizações, indo além da mera execução de projetos tecnológicos. A área de tecnologia deve entender melhor o negócio e como transformar as operações e a entrega de valor, considerando não apenas as questões técnicas.
A expansão do uso de agentes de IA também requer a implementação de mecanismos de governança para controlar riscos e definir responsabilidades. É essencial que cada sistema tenha um responsável designado e que existam condições claras sobre as ações que podem ser executadas autonomamente.
Casos de empresas que enfrentaram problemas devido à má implementação da IA ilustram a importância de uma supervisão adequada. Exemplos de falhas em serviços ao cliente destacam que a qualidade e a confiabilidade devem ser prioridades, além da redução de custos e aumento da eficiência.
Por fim, a supervisão humana é vital para manter a capacidade crítica das equipes. É necessário desenvolver o senso crítico dos profissionais, capacitando-os a tomar decisões racionais e a agir com discernimento. A combinação de autonomia tecnológica, supervisão humana e mudanças organizacionais será crucial para garantir que os investimentos em IA resultem em benefícios sustentáveis.