IA avança mais rápido que a governança nas empresas, revela KPMG

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Mais da metade das empresas ainda não implementaram governança formal de inteligência artificial.

Uma pesquisa recente revelou que mais da metade das empresas ainda carece de uma governança formal para a inteligência artificial (IA). O estudo destaca que a adoção acelerada da tecnologia está à frente da capacidade das organizações de estabelecer mecanismos adequados de supervisão e gestão de riscos.

De acordo com os dados, 52% dos participantes estão em processo de discussão ou estruturação de um modelo formal de governança para IA. Apenas 23% afirmam ter uma estrutura formalizada e em funcionamento. A pesquisa incluiu 53 profissionais das áreas de governança, riscos, compliance, auditoria interna e controles internos, abrangendo setores como energia, serviços financeiros, saúde, tecnologia e agronegócio.

Inventário e mapeamento de riscos ausentes

A falta de uma estrutura de governança vai além do aspecto formal. Um total de 59% dos entrevistados indicou que suas organizações não possuem um inventário das atividades que utilizam IA. As áreas responsáveis por governança, riscos, compliance e auditoria interna ainda não estão formalmente envolvidas no mapeamento de riscos e controles associados à tecnologia.

O nível de confiança nas decisões baseadas em IA também é preocupante. Cerca de 35% dos entrevistados afirmaram que suas empresas não confiam no uso da IA para decisões críticas. Apenas 6% expressaram total confiança na tecnologia, mesmo com controles adequados implementados. Além disso, 51% relataram que ainda não realizaram um mapeamento estruturado de riscos específicos da IA, que incluem vieses, alucinações, segurança, compliance e uso de dados sensíveis.

Especialistas destacam que a eficácia das decisões baseadas em IA depende da qualidade dos dados utilizados. Portanto, a governança de dados para IA deve incluir responsabilidades claras sobre acesso, uso, segurança, privacidade e rastreabilidade, além de garantir mecanismos de monitoramento durante todo o ciclo de vida dos modelos. Sem essa estrutura, as empresas podem aumentar o uso da tecnologia, mas enfrentarão dificuldades em explicar e controlar os resultados gerados.

Processos manuais ainda dominam os controles internos

Outro indicador de baixa maturidade nas organizações é a realização manual dos testes de controles internos. Cerca de 57% dos participantes afirmaram que suas empresas ainda dependem de processos manuais para testes de controles internos e compliance, sem a participação de agentes de IA. Este dado evidencia a necessidade de avanço na utilização da tecnologia para aprimorar processos de governança, riscos e controles.

Profissionais da área enfatizam que a escala e a confiança são inseparáveis nesse contexto. Com a crescente participação da tecnologia em processos relevantes e decisões críticas, aumenta a necessidade de controles, transparência e supervisão. A confiança em IA não pode ser alcançada sem uma governança que evolua em consonância com a tecnologia, e o foco deve ser criar condições que permitam escalar o uso da IA sem aumentar proporcionalmente a exposição a riscos.

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