Pesquisas da Feevale contribuem para discussão sobre apostas esportivas
A proibição das casas de apostas no Brasil impulsiona novas pesquisas sobre o tema.
A proibição das casas de apostas no Brasil marca um novo capítulo no debate sobre as apostas esportivas e os jogos online no país. Na Universidade Feevale, essa questão está sendo explorada em um projeto de pesquisa coordenado pelo professor Marcelo Curth, que investiga o consumo em plataformas digitais. O objetivo é entender as mudanças no comportamento dos consumidores em ambientes digitais, com as apostas esportivas sendo um dos focos principais dessa investigação.
Segundo o professor, é crucial analisar as apostas em um contexto mais amplo, que vai além da simples interação entre a plataforma e o usuário. Ele ressalta a existência de um ecossistema que envolve diversos atores, como consumidores, empresas, clubes, atletas, meios de comunicação, agentes públicos e famílias. “É necessário expandir as investigações para entender como diferentes partes interessadas são afetadas e como elas também contribuem para a formação desse ambiente”, explica.
Diferentes perspectivas sobre o mesmo fenômeno
Os estudos realizados abordam temas como a experiência do usuário nas plataformas, formação de hábitos, estratégias de marketing e a influência de atletas nas decisões de consumo. Uma das pesquisas já concluídas analisou a atuação dos atletas nesse contexto e revelou que a influência que eles exercem pode intensificar a relação do consumidor com as plataformas de apostas, aumentando sua disposição para apostar.
Outra linha de pesquisa investiga as consequências do consumo vulnerável e os impactos na saúde pública, especialmente quando a prática de apostar se torna associada à perda de controle e a efeitos emocionais, sociais e financeiros adversos. Pesquisadores estão estudando comunidades digitais de apoio, identificando práticas como acolhimento, apoio social, controle financeiro, bloqueio de plataformas e estratégias para reduzir a exposição a gatilhos que podem levar a comportamentos de risco.
Uma pesquisa adicional explora a dimensão emocional das interações em comunidades digitais de recuperação, analisando como sentimentos como aceitação, confiança, tristeza e apreensão se manifestam e se entrelaçam entre os participantes. Os resultados destacam a importância das relações sociais e do apoio coletivo no entendimento dos processos de vulnerabilidade e recuperação.
Além de produzir e divulgar os estudos no Brasil, a agenda de pesquisa está se expandindo para o cenário internacional. Um grupo de investigação está sendo formado em parceria com universidades europeias, visando ampliar as pesquisas e realizar estudos em contextos diversos, além de construir uma agenda internacional sobre o fenômeno das apostas.
A articulação com instituições internacionais também permitirá uma análise das diferentes condições institucionais, culturais e regulatórias que influenciam as apostas e seus stakeholders. Para Curth, essa diversidade de perspectivas é especialmente importante, considerando as recentes transformações no Brasil.