Santiago Peña deixa a Presidência do Paraguai em meio a crise bancária e pressão por impeachment

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Presidente do Paraguai renuncia em meio a crise política e financeira.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em um contexto de crise política e financeira, desencadeada pelo fechamento do Ueno Bank. O anúncio foi divulgado nas redes sociais, enquanto a Câmara dos Deputados discutia um possível julgamento político contra ele.

Na mensagem, Peña expressou que sua decisão foi motivada pela busca de estabilidade no país, pela paz social e pela preservação das instituições democráticas. Ele também se desculpou com a população, caso tenha falhado, e reforçou seu compromisso em garantir a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao sistema financeiro.

A renúncia ocorreu após Peña perder o apoio de setores do Partido Colorado, do qual é filiado. O ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais figuras da legenda, manifestou apoio ao processo de impeachment, o que facilitou a continuidade da acusação contra Peña no Congresso.

A saída do presidente ainda precisa ser formalmente aceita pelo Legislativo. Se isso acontecer, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência e completar o atual mandato, que vai até agosto de 2028.

Crise do Ueno Bank

A crise do Ueno Bank começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decidiu pela resolução da instituição após detectar problemas graves de solvência. Essa medida interrompeu as operações do banco, deixando milhões de clientes sem acesso a suas contas e recursos depositados.

O Ueno Bank contava com cerca de 2,9 milhões de clientes em um país de aproximadamente 6,1 milhões de habitantes. Além disso, a instituição gerenciava recursos de órgãos públicos e fundos previdenciários, incluindo valores do Instituto de Previsão Social (IPS).

Santiago Peña tinha participação acionária no Ueno Holding, grupo controlador do banco, até 2025. Essa ligação se tornou um dos principais pontos de questionamento pela oposição, que acusa o governo de conflitos de interesse e falhas na fiscalização do sistema financeiro.

A crise também resultou na saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central. Carvallo havia liderado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária. A investigação sobre a instituição avançou, resultando na detenção de dirigentes e na apuração de possíveis irregularidades.

Trajetória política

Santiago Peña, de 47 anos, foi eleito presidente em abril de 2023 pelo Partido Colorado, derrotando Efraín Alegre. Ele assumiu o cargo em 15 de agosto daquele ano, sucedendo Mario Abdo Benítez, também membro da legenda.

Economista, Peña é graduado pela Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, no Paraguai, e possui pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI) no departamento voltado para a África.

Antes de se tornar presidente, foi ministro da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes, de 2015 a 2017. Em 2018, disputou as prévias do Partido Colorado para a presidência, mas foi derrotado por Mario Abdo Benítez.

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