Crise no Ueno Bank provoca retirada de recursos de estatais paraguaias
Crisis in Ueno Bank impacts millions in Paraguay
A crise do Ueno Bank no Paraguai atinge cerca de 3 milhões de clientes e envolve recursos de instituições públicas e fundos de previdência. O Banco Central do Paraguai (BCP) iniciou o processo de resolução do banco em 3 de novembro de 2026, após verificar que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido.
Para mitigar os prejuízos aos clientes, a Lei nº 7.755 de 2026, aprovada em 4 de novembro, autorizou o pagamento antecipado de parte da garantia dos depósitos, com início em 5 de novembro. Essa medida permite a devolução de até 40 salários mínimos por depositante, descontando eventuais dívidas em atraso com o banco. Os pagamentos serão realizados por meio de outras instituições financeiras.
O BCP disponibilizou uma plataforma para que os correntistas verifiquem em qual instituição financeira receberão os recursos. No entanto, o serviço enfrentou instabilidades devido ao alto volume de acessos. A ferramenta permite que os clientes identifiquem o banco designado para o adiantamento do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), sem a necessidade de aguardar um e-mail.
A crise também afeta investimentos do Instituto de Previsión Social (IPS), depósitos de outras entidades públicas e empréstimos da Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD) ao banco. A recuperação desses valores dependerá do andamento do processo de resolução e dos ativos que o Ueno Bank possui para quitar suas dívidas.
Crise expõe instituições públicas
Um dos principais pontos de preocupação é o IPS, que gerencia a previdência e a saúde dos trabalhadores paraguaios. A gerente financeira do instituto declarou que a entidade tinha aproximadamente US$ 355 milhões no Ueno Bank, representando cerca de 9% de todos os investimentos do IPS. Desse total, 46 bilhões de guaranis estavam em depósitos à vista.
Além disso, o IPS possui cerca de 32 mil aposentados que recebem benefícios em contas no Ueno Bank. A instituição está trabalhando para transferir esses pagamentos para outros bancos, garantindo que aposentadorias e pensões continuem sendo pagas normalmente.
A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) também tinha recursos no banco, totalizando aproximadamente US$ 46 milhões provenientes de empréstimos destinados a obras e cerca de 36 bilhões de guaranis em recursos próprios. A Cajubi, responsável pela previdência dos funcionários da binacional Itaipú, também tinha investimentos na instituição, mas não informou quanto espera recuperar.
AFD tem exposição ao banco
A AFD, que financia projetos de desenvolvimento no Paraguai, é outra instituição pública envolvida. Relatórios indicam que a AFD era o principal credor local do Ueno Bank, com dívidas que equivalem a 38% do patrimônio líquido da instituição financeira. A recuperação desses valores dependerá do processo de resolução e dos recursos que o banco pode destinar ao pagamento de suas dívidas.
Recuperação dos valores é incerta
O processo conduzido pelo BCP envolve uma análise detalhada dos ativos e passivos do Ueno Bank para definir a ordem de pagamento aos credores. Para clientes com depósitos acima do limite da garantia, não há confirmação de que todo o dinheiro será restituído, já que isso depende dos recursos disponíveis.
A crise é significativa para o sistema financeiro paraguaio, dado que o Ueno Bank concentrava 9% dos depósitos e 8% dos empréstimos do país. A avaliação é de que os efeitos sobre os demais bancos poderão ser limitados, desde que o processo de resolução seja realizado de forma rápida e organizada.