Ex-carcereiro descreve ataque a Lula durante trajeto para a prisão
Ofensas a Lula durante voo da PF são reveladas em novo livro
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de ofensas durante um voo de helicóptero da Polícia Federal em abril de 2018, conforme relato do policial federal Jorge Chastalo Filho em seu livro “Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula”.
No trajeto de cerca de 15 minutos entre o Aeroporto Afonso Pena e a sede da PF em Curitiba, mensagens hostis foram transmitidas por pessoas em outras aeronaves, chamando o ex-presidente de “lixo” e pedindo que não fosse solto.
Diante das manifestações, o comandante do helicóptero pediu respeito ao trabalho da equipe, enquanto uma controladora de voo alertou sobre a gravação das comunicações, que poderiam levar à identificação dos responsáveis pelas ofensas.
Esse episódio já havia sido registrado em uma gravação divulgada em 2018, confirmada pela Força Aérea Brasileira, que identificou o uso indevido da frequência de rádio, embora a identidade do infrator não tenha sido revelada.
O livro também traz críticas de Lula a ministros do Supremo Tribunal Federal, como Cármen Lúcia, a quem chamou de “falsa humilde”, demonstrando sua decepção após decisões desfavoráveis. Lula recordou uma conversa anterior com a ministra, onde ela mencionou sua origem humilde.
Além disso, o ex-presidente expressou insatisfação com Edson Fachin, atual presidente do STF, após o ministro retirar de pauta um pedido de habeas corpus que poderia beneficiá-lo. Lula o chamou de “filho da puta” e criticou seu distanciamento dos movimentos sociais.
Luiz Fux também foi alvo de críticas, com Lula descrevendo-o como um “cachorro pidão” e “canalha”, especialmente após a suspensão de uma autorização que permitiria entrevistas enquanto ele estava preso.
Chastalo também narra a chegada de Lula à Superintendência da PF, onde o ex-presidente chegou em silêncio e com aparência abatida. O policial se sentiu constrangido e recorda que, antes da prisão, não acreditava que Lula realmente seria detido.
Com o tempo, a relação entre Lula e Chastalo se aproximou, com o ex-presidente chamando-o de “querido” e fazendo brincadeiras. Em uma conversa, Lula mostrou irritação ao descobrir que seu passaporte havia sido furtado, comparando o comportamento de alguns a crianças que escondem notas ruins.
O livro também detalha a rotina de Lula na prisão, incluindo alimentação e momentos de banho de sol. Chastalo relata que, em um desses momentos, providenciou um pão francês com mortadela para o ex-presidente.
Além de política, Lula conversava sobre assuntos familiares e solicitou equipamentos para exercícios físicos. A equipe da PF enfrentou desafios com drones que tentavam capturar imagens do ex-presidente, exigindo cuidados adicionais com segurança.
Publicada pela editora WMF Martins Fontes, a obra “Banho de Sol” possui 592 páginas e foi organizada em formato de diário. A tiragem inicial de 5 mil exemplares esgotou rapidamente, levando à encomenda de mais 15 mil cópias. O lançamento foi adiado para após as eleições presidenciais de 2026 para evitar que o conteúdo fosse utilizado em campanhas.
Lula permaneceu preso de abril de 2018 a novembro de 2019, sendo libertado após uma mudança no entendimento do STF sobre a execução de penas. Em 2021, suas condenações relacionadas à Operação Lava Jato foram anuladas, reconhecendo a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar os casos.