Cientistas revelam como eram os denisovanos, parentes do ser humano que viveram há 160 mil anos

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Descoberta de características físicas dos denisovanos traz novos insights sobre nossos ancestrais.

Uma das linhagens humanas mais enigmáticas da pré-história, os denisovanos, começa a ser melhor compreendida com a identificação de suas características físicas. Esse grupo de humanos antigos habitou a Ásia há centenas de milhares de anos e compartilhou ancestrais com os humanos modernos e os neandertais.

A análise de proteínas preservadas em fósseis encontrados na região de Xujiayao, no norte da China, revelou traços que ajudam a reconstruir a aparência desses primos distantes. Com uma datação de pelo menos 138 mil anos, esses restos não apenas fornecem informações sobre os denisovanos, mas também podem auxiliar na identificação de outros fósseis cuja origem ainda é debatida entre os cientistas.

Os denisovanos pertencem a um ramo da árvore evolutiva humana que, embora tenha deixado marcas no DNA de populações atuais, ainda é pouco conhecido. Sua existência foi confirmada em 2010, quando um fragmento de dedo encontrado na Caverna Denisova, na Sibéria, foi analisado, revelando que pertencia a um grupo distinto dos humanos modernos e dos neandertais.

A descoberta de 2010 alterou a compreensão sobre a diversidade de espécies humanas que coexistiram no planeta. Os denisovanos não apenas habitaram a Terra ao lado de outros hominíneos, como também cruzaram com eles, resultando em parte de seu material genético ainda presente em populações do Sudeste Asiático e da Oceania.

No entanto, a escassez de fósseis atribuídos a esse grupo tornou o estudo de suas características físicas desafiador. Diferente dos neandertais, que possuem uma quantidade considerável de restos bem preservados, os denisovanos foram inicialmente identificados a partir de fragmentos limitados, dificultando a distinção de suas características em relação a outros humanos antigos.

Os fósseis de Xujiayao, encontrados entre 1976 e 1979, são de grande importância. A coleção inclui 20 fragmentos de crânios, mandíbulas e dentes, além de restos de animais e ferramentas de pedra. Inicialmente, os pesquisadores não conseguiram chegar a um consenso sobre a classificação desses materiais, que chegaram a ser associados a uma espécie denominada Homo juluensis. Contudo, a análise de proteínas antigas permitiu relacionar esses fósseis à linhagem denisovana, avançando na identificação de suas características anatômicas.

A escassez de fósseis bem preservados e a dificuldade em recuperar material genético sempre foram obstáculos para a identificação dos denisovanos. Para contornar isso, os pesquisadores recorreram à paleoproteômica, uma técnica que analisa proteínas preservadas em materiais antigos. O DNA, por sua natureza, tende a se degradar ao longo do tempo, enquanto algumas proteínas conseguem permanecer intactas por períodos mais longos e podem conter informações valiosas sobre as relações evolutivas entre diferentes grupos.

Nos fósseis de Xujiayao, foi identificada uma alteração específica na cadeia de colágeno, chamada COL1A2-996 R>K, que serve como um marcador molecular dos denisovanos, não encontrado em amostras de humanos modernos e neandertais. Após essa identificação, a equipe comparou a anatomia dos fósseis com a de outros hominíneos do Leste Asiático, conseguindo reunir características que ajudam a formar uma imagem mais clara desses antigos parentes humanos.

  • Crânio baixo e largo: a parte superior da cabeça apresentava um perfil achatado e paredes laterais quase paralelas;
  • Arcada supraorbital robusta: a região óssea acima dos olhos era bastante espessa e saliente;
  • Rosto achatado: a região das maçãs do rosto e da mandíbula superior apresentava pouca projeção para a frente;
  • Prognatismo discreto: a face tinha menor projeção em comparação com outras espécies humanas antigas;
  • Calota craniana espessa: uma característica que também aparece em grupos mais antigos, como o Homo erectus.

A combinação dessas características indica que os denisovanos possuíam traços encontrados em diferentes linhagens humanas. Alguns aspectos lembram os neandertais, enquanto outros se aproximam dos humanos modernos e de espécies mais

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