Duas cidades americanas banem produção e venda de foie gras

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Washington e Denver proíbem produção e venda de foie gras obtido por alimentação forçada.

Eleitores de Washington, D.C., e de Denver, Colorado, aprovaram recentemente medidas que proíbem a produção e a venda de foie gras produzido através da alimentação forçada de aves.

Na capital americana, a proposta recebeu 73,24% dos votos a favor, totalizando 120.474 votos, enquanto 26,76% (44.007 votos) foram contrários. Em Denver, 67,45% dos eleitores (185.481 votos) apoiaram a iniciativa, contra 32,55% que votaram contra (89.522 votos).

Essas novas regras se aplicam apenas a esses dois municípios e representam um avanço nas restrições ao foie gras nos Estados Unidos, embora não estabeleçam uma proibição em nível nacional.

As medidas proíbem a alimentação forçada de patos e gansos com o objetivo de aumentar o tamanho do fígado e restringem a comercialização e a distribuição de produtos obtidos por esse método.

As restrições, porém, têm diferenças de alcance:

  • Em Washington, a iniciativa proíbe a venda comercial, a distribuição e a importação de foie gras e de outros produtos feitos com fígados de aves engordadas dessa maneira;
  • Em Denver, a proposta também restringe a venda e a importação, além do transporte e do recebimento desses produtos.

O que é a alimentação forçada?

O foie gras, que significa “fígado gordo” em francês, é produzido a partir do fígado de patos e gansos submetidos a um processo de alimentação e engorda conhecido como “gavage”.

  • A técnica consiste em introduzir um tubo pela garganta da ave até o esôfago para fornecer uma quantidade de alimento superior à que o animal consumiria naturalmente, visando aumentar o tamanho do fígado.

Essa prática é amplamente criticada por organizações de defesa dos animais, que alegam que a alimentação forçada provoca sofrimento às aves. A Pro-Animal Future, que promove campanhas em apoio às novas medidas, argumenta que essa técnica compromete o bem-estar dos animais.

Representantes do setor gastronômico, como Bart Hutchins, chef e proprietário do restaurante Butterworth’s, expressaram oposição às iniciativas. Hutchins publicou um artigo em um jornal local argumentando que a alimentação forçada intensifica um processo biológico natural e não deve ser vista como cruel. Ele também destacou que a proibição pode afastar profissionais da gastronomia do debate sobre a origem dos alimentos e as condições de produção.

Proibições nos EUA e no Brasil

Antes das votações, a Califórnia era o único estado americano a proibir a alimentação forçada de aves e a venda de produtos obtidos por esse método. Além disso, cidades como Nova York, Pittsburgh, Brookline e Portland já tinham implementado restrições.

Com as novas regras, Washington e Denver se juntam a esse grupo, mas as proibições continuam limitadas a determinados estados e municípios.

No Brasil, a produção e a comercialização de foie gras e de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais foram proibidas em julho de 2026, quando uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em vigor. A norma estabelece penas de três meses a um ano de prisão, além de multa, para quem descumprir a proibição, alinhando-se à Lei de Crimes Ambientais.

Com essa sanção, o Brasil se torna o segundo país, após a Índia, a proibir a produção e a comercialização de produtos obtidos por alimentação forçada de animais, seguindo o exemplo de nações como Reino Unido, Alemanha, Itália, Austrália e Argentina, que já haviam adotado restrições semelhantes.

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