Governadora de Pernambuco solicita investigação de Duda e Erika na lista de procurados
Governadora de Pernambuco condena uso indevido de imagens de deputadas em investigação policial.
A governadora de Pernambuco repudiou a utilização de fotos das deputadas Duda Salabert e Erika Hilton em um álbum de identificação de suspeitos pela Polícia Civil do Estado. O incidente foi denunciado por Salabert após receber um ofício da Defensoria Pública de Pernambuco alertando sobre a situação.
Lyra classificou o ocorrido como “inadmissível” e assegurou que será realizada uma investigação rigorosa pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Em suas redes sociais, a governadora expressou sua indignação e compromisso com a apuração do caso.
“Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton pela Polícia Civil de PE. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE.”
O álbum de suspeitos foi criado em abril para auxiliar na investigação de um roubo de celular que ocorreu no Recife no início de 2025. A inclusão das fotos das deputadas levantou sérias preocupações sobre a legitimidade do reconhecimento fotográfico utilizado pela polícia.
Em suas declarações, Duda Salabert ressaltou que a inclusão de suas imagens e de Erika Hilton no álbum se deu unicamente por serem travestis, denunciando a Polícia Civil por transfobia institucional e racismo. A parlamentar afirmou que essa prática não se configura como uma investigação adequada, mas sim como um ato de perfilamento.
“Colocaram minha foto e a da Erika Hilton lado a lado em um álbum de reconhecimento criminal. Não por semelhança com a suspeita, mas por sermos travestis. Isso não é investigação. É perfilamento, é racismo e transfobia institucional. É assim que o sistema erra. É assim que inocentes são colocadas como suspeitas. Já acionei a Justiça.”
Salabert também solicitou esclarecimentos e providências à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, enfatizando que o episódio não deve ser tratado como um erro isolado, mas sim como um reflexo de práticas discriminatórias dentro do sistema.
A Defensoria Pública se manifestou, afirmando que a única justificativa para a inclusão das fotografias no procedimento seria a condição de ambas como mulheres negras e trans. A instituição destacou que essa circunstância compromete a validade dos atos probatórios, já que o reconhecimento fotográfico nessas condições é evidentemente frágil e não poderia sustentar uma eventual condenação.
A assessoria da deputada informou que o mandato está tomando as medidas necessárias para que o caso seja devidamente apurado. O gabinete também expressou que é inaceitável que um episódio dessa natureza ocorra de forma institucional, especialmente em relação a parlamentares que frequentemente enfrentam discursos de ódio.
