Estudo revela conexão surpreendente entre sono ruim e Alzheimer
Estudo revela que a qualidade do sono pode influenciar o risco de Alzheimer.
Dormir mal pode ter repercussões que vão além do cansaço diário. Pesquisas recentes indicam que a falta de sono profundo e do sono REM está associada à aceleração da deterioração de áreas cerebrais ligadas ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer.
Pesquisadores identificaram que a deficiência nesses estágios do sono está relacionada à redução do volume da região parietal inferior, uma área crucial para a integração de informações sensoriais e visuoespaciais, considerada um dos primeiros sinais de declínio cognitivo.
O estudo acompanhou 270 voluntários ao longo de 13 anos, monitorando a qualidade do sono e realizando análises cerebrais. Os resultados mostraram que indivíduos com menor duração de sono profundo apresentaram uma perda maior de volume cerebral em áreas suscetíveis ao Alzheimer.
O sono REM, que significa movimento rápido dos olhos, é uma fase vital do descanso. Durante esse estágio, o cérebro se mantém ativo, processando emoções, consolidando memórias e absorvendo novas informações, além de ser o momento em que a maioria dos sonhos ocorre.
Quando a duração do sono REM é reduzida, esses processos essenciais ficam comprometidos, o que pode ter um impacto negativo na saúde cerebral ao longo do tempo.
Os pesquisadores notaram que a cada ponto percentual de redução no sono profundo, havia uma diminuição de 44,18 milímetros cúbicos na região parietal inferior. Por outro lado, a redução do sono REM estava associada a uma perda ainda mais significativa, de 75,4 milímetros cúbicos.
Essas regiões do cérebro são particularmente sensíveis e frequentemente apresentam alterações antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas de demência. Isso sugere que a má qualidade do sono pode não apenas estar relacionada, mas também contribuir para o início da doença.
Os autores do estudo ressaltam que o sono é um fator de risco modificável, indicando que mudanças nos hábitos de sono podem ajudar a retardar ou reduzir o desenvolvimento do Alzheimer.
Impactos da privação de sono no cérebro
O sono é fundamental para a saúde cerebral. Durante o sono profundo, o cérebro elimina toxinas acumuladas, remove células danificadas e realiza processos de reparação. O sono REM, por sua vez, é crucial para a consolidação da memória, processamento emocional e aprendizado.
Quando esses estágios são interrompidos ou diminuídos, as funções cognitivas ficam comprometidas, favorecendo a neurodegeneração ao longo do tempo.
Pesquisadores observam que apenas uma noite de sono inadequado pode aumentar a presença da proteína beta-amiloide no cérebro, uma substância associada ao desenvolvimento do Alzheimer.
Esse aumento foi identificado no hipocampo, uma das regiões mais sensíveis à doença. Durante um sono adequado, o cérebro ativa o sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos e toxinas. Quando o sono é insuficiente, esse processo é prejudicado.
Relação entre sono e demência
Diversos estudos populacionais reforçam a conexão entre sono e Alzheimer. Uma pesquisa com quase oito mil pessoas, acompanhadas por 25 anos, revelou que dormir seis horas ou menos aumentou o risco de demência em cerca de 30%.
Outro estudo, envolvendo 2,8 mil pessoas com mais de 65 anos, indicou que dormir menos de cinco horas por noite pode dobrar o risco de déficit cognitivo.
A qualidade do sono também é um fator importante. Distúrbios como insônia, apneia do sono e sonolência diurna estão associados a um aumento do risco de problemas cognitivos.
A apneia do sono, por exemplo, pode interromper a oxigenação do cérebro várias vezes durante a noite, elevando o risco de doenças neurodegenerativas ao longo dos anos.
Excesso de sono como sinal de alerta
Curiosamente, dormir em excesso também pode estar relacionado a um aumento do risco de demência. Análises mostraram que houve 69% mais casos entre pessoas que dormiam mais de oito horas por noite.
Entretanto, especialistas alertam que essa relação pode ser inversa. Dormir mais pode não ser a causa, mas sim um dos primeiros sinais da doença, uma vez que o Alzheimer pode afetar regiões do cérebro responsáveis pelo ciclo do sono antes do surgimento de sintomas.
Essa relação ainda está sendo estudada
