Queda de 13,3% nas exportações da indústria de transformação no Rio Grande do Sul

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Exportações do Rio Grande do Sul enfrentam queda significativa em fevereiro

As exportações da indústria de transformação no Rio Grande do Sul registraram uma queda acentuada em fevereiro, atingindo US$ 1,1 bilhão, o que representa uma retração de 13,3% em comparação ao mesmo mês do ano anterior.

Ao desconsiderar o efeito do calendário, que teve dois dias úteis a menos devido ao Carnaval, a diminuição teria sido de 4,2%. Essa situação traz à tona os desafios enfrentados pelo setor, especialmente em um contexto de tarifas impostas pelos Estados Unidos e a intensificação de conflitos no Oriente Médio, que impactam diretamente as vendas externas do estado.

Claudio Bier, presidente do Sistema FIERGS, enfatiza que a combinação de preços médios em baixa, com uma queda de 3,5%, e a quantidade embarcada, que recuou 0,8%, contribui para este panorama negativo. A análise da Unidade de Estudos Econômicos da FIERGS aponta que 17 dos 23 segmentos industriais apresentaram retração no mês passado.

Embora o setor alimentício tenha mostrado um crescimento de 2,5%, contribuindo positivamente para as exportações, os segmentos de máquinas e equipamentos e veículos automotores enfrentaram quedas severas, com -28,9% e -29,3%, respectivamente.

No período de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, as vendas de produtos industriais do Rio Grande do Sul para o mercado norte-americano somaram US$ 691 milhões, uma queda expressiva de 36,5% em relação ao ano anterior. Os efeitos das tarifas começaram a ser notados a partir de setembro de 2025, após um agosto menos afetado.

Em relação ao Oriente Médio, as exportações totais gaúchas para a região em 2025 atingiram US$ 1,3 bilhão, representando 6% do total embarcado no ano. A maioria das vendas teve como destino países do Golfo Pérsico, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Iraque. A pauta de exportação se concentra em produtos específicos, como o abate de aves.

As importações do Rio Grande do Sul também registraram queda em fevereiro, totalizando US$ 847 milhões, uma redução de 14,4% em comparação ao mesmo mês de 2025. A maior parte das compras foi de bens intermediários, que apresentaram um aumento de 3,1%, enquanto os bens de capital sofreram uma queda de 13,8%.

Diante deste cenário desafiador, Cláudio Bier ressalta a importância de as empresas gaúchas monitorarem continuamente a situação geopolítica, avaliarem rotas e fornecedores alternativos, e revisarem suas estratégias de abastecimento e embarque para mitigar os efeitos adversos nas exportações e importações.

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