Irã Transforma Estreito de Ormuz em Arma de Guerrilha Econômica Global
A ameaça militar do Irã impacta o mercado global de petróleo
A simples ameaça de instalação de minas marítimas ou de ataques com mísseis ou drones tem desencorajado companhias de navegação e seguradoras a operar na região do Golfo Pérsico.
Até fevereiro de 2026, o Irã produzia cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo por dia, controlando 4% da oferta global. Após ataques dos Estados Unidos e Israel, esse número saltou para 20% da produção mundial de petróleo.
O aumento da influência do Irã na oferta global de petróleo não é apenas econômico, mas também militar, centrando-se no controle do Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte de petróleo, que conecta os golfos Pérsico e de Omã.
Localizado na margem norte do estreito, o Irã tem a capacidade de atingir embarcações que transitam por essa rota, vital para o escoamento de um quinto da oferta mundial de petróleo.
A edição de 28 de março da revista The Economist destacou essa situação, apresentando um mapa-múndi amassado sob a mão de um representante iraniano, simbolizando a “vantagem para o Irã”.
Embora o Irã já tenha ameaçado fechar o estreito anteriormente, agora a medida foi implementada, direcionando-a especificamente contra “nações hostis”, como os Estados Unidos e Israel.
Desde o início da Guerra do Irã, apenas um número reduzido de petroleiros recebeu autorização para cruzar o estreito, um tráfego que em tempos de paz seria considerado normal em um único dia.
As forças armadas iranianas não necessitam de grandes recursos para bloquear a passagem: a simples ameaça de minas ou ataques é suficiente para afastar as companhias de navegação.
Esse tipo de ação é classificada como guerra assimétrica, um conflito onde as potências envolvidas possuem estratégias e recursos desiguais.
O Irã, embora seja uma potência média, adaptou suas táticas para lidar com adversários mais fortes, como os Estados Unidos, desenvolvendo capacidades de combate assimétrico.
Os recursos utilizados pelo Irã incluem apoio a forças irregulares, como o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iémen, além de limitar a circulação de navios no Estreito de Ormuz para impor custos aos seus adversários.
O Estreito de Ormuz é crucial não apenas para o petróleo, mas também para o transporte de fertilizantes e outros produtos químicos, o que torna a situação ainda mais delicada.
Com profundidades que podem chegar a cem metros e canais estreitos, o bloqueio do estreito pode ser realizado com a utilização de drones.
Reação iraniana expõe erros de cálculo de adversários
Especialistas afirmam que o uso da guerra assimétrica pelo Irã era esperado após os ataques dos EUA e de Israel, já que o país estava preparado para responder a esses desafios.
A abordagem do Irã, embora previsível, revelou os erros de cálculo dos Estados Unidos, que subestimaram a capacidade de resistência do regime iraniano.
O ex-embaixador no Irã, Sérgio Tutikian, destacou que a ameaça de fechamento do estreito é uma constante desde a Guerra Irã-Iraque, e que a situação se torna ainda mais crítica com as altas temperaturas do verão na região.
Tutikian também mencionou que as forças norte-americanas enfrentariam temperaturas extremas se decidissem realizar operações terrestres na região, complicando ainda mais a situação.
Esses fatores, aliados ao controle do Estreito de Ormuz, podem influenciar significativamente o mercado global de petróleo e a dinâmica geopolítica na região do Golfo Pérsico.
