Sem Parar utiliza inteligência artificial para ajustar perfil de candidatos e reduzir turnover superior a 70%
Sem Parar adota inteligência artificial para reduzir turnover e aprimorar recrutamento
Em uma iniciativa para diminuir a alta taxa de turnover, que ultrapassa 70%, a empresa Sem Parar implementou um agente de inteligência artificial (IA) em seu processo de recrutamento. A tecnologia, desenvolvida internamente, visa entender melhor o perfil ideal para a função de vendedor.
Anteriormente, o departamento de recursos humanos buscava candidatos mais jovens, entre 18 e 20 anos, sem experiência significativa. No entanto, esses profissionais eram os que apresentavam maior rotatividade no cargo.
Considerando que a área comercial representa a maior parte da equipe da Sem Parar, com cerca de 1.200 vendedores entre os 3 mil funcionários, o RH decidiu revisar o perfil de candidatos. Em colaboração com a equipe de TI, a empresa analisou informações demográficas e dados de desempenho dos vendedores, utilizando um modelo de IA para identificar padrões que levassem aos melhores resultados.
As análises revelaram um perfil surpreendente: profissionais com mais de 30 anos, pelo menos três anos de experiência e responsabilidades financeiras, como filhos ou financiamentos.
“A IA nos ajudou a identificar esse novo padrão. Fizemos um diagnóstico aprofundado com dados internos que não estávamos utilizando de forma eficaz”, explica o CHRO da empresa.
Com essas informações, a equipe alterou o perfil buscado em seus processos seletivos no início deste ano, esperando uma significativa redução do turnover na área comercial em um curto prazo.
Estratégia de IA como prioridade na Sem Parar
Esse projeto integra um programa mais amplo de implementação de inteligência artificial na organização. Para 2026, o objetivo é aplicar IA em funções transacionais, reservando as aplicações estratégicas para um futuro com maior maturidade tecnológica.
A partir de abril, o RH utilizará um agente de IA para gerenciar a fase inicial do recrutamento. O processo começará com candidaturas via WhatsApp, onde a tecnologia verificará perguntas introdutórias e pré-requisitos, além de agendar entrevistas. A interação direta com os candidatos continuará a ser realizada pelos recrutadores.
“É fundamental reconhecer que ainda temos muito a aprender. Erros em processos transacionais impactam menos as pessoas e a empresa do que erros em decisões estratégicas, que são mais difíceis de corrigir”, afirma o CHRO.
Para promover uma cultura voltada ao uso de IA, a empresa capacita líderes e, desde o ano passado, incorporou o uso de inteligência artificial como competência nas avaliações de colaboradores. Embora esse critério não tenha sido utilizado em 2025, ele será implementado em 2026.
O executivo ressalta que esses passos são essenciais para superar o maior desafio da implementação da IA: a cultura organizacional. Para lidar com resistências, recomenda iniciar em pequena escala, investindo na educação dos funcionários e conduzindo os projetos de forma gradual.
“É preciso encontrar um equilíbrio entre desenvolver a cultura e não esperar estar 100% pronto para começar. Temos nos concentrado em criar governança, preparar lideranças e promover capacitações, mas sem adiar a execução, pois a cultura evolui com o tempo”, conclui.
