Sistema Fiergs promove iniciativa para esclarecer efeitos da redução da jornada de trabalho

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Fiergs inicia ação para esclarecer impactos de mudanças na jornada de trabalho

O Sistema Fiergs está promovendo uma campanha de esclarecimento sobre os projetos em tramitação no Congresso que propõem alterações na jornada e na escala de trabalho. A criação de uma cartilha visa conscientizar a população sobre os potenciais efeitos da redução da carga semanal de 44 horas para 40 ou 36 horas, sem que haja diminuição nos salários.

A iniciativa, desenvolvida pelo Conselho de Relações do Trabalho (Contrab), tem como objetivo esclarecer aspectos fundamentais do debate, incluindo a possibilidade de redução da jornada através de negociação coletiva. O material será distribuído para sindicatos industriais e empresas, além de estar disponível online. A entidade também enfatiza que a eliminação da escala 6×1 não significa, necessariamente, uma redução na carga horária total, já que é viável manter jornadas de 44 horas sem esse modelo, assim como adotar escalas com menos horas semanais.

Escala de trabalho

A federação ressalta que quaisquer mudanças devem ser implementadas com base em análises técnicas e cautela. Segundo a entidade, se uma empresa mantém 100% do salário para uma jornada de 44 horas e passa a pagar o mesmo valor por 36 horas, o custo da mão de obra pode sofrer um aumento abrupto de 12% a 15%. Esse cenário pode impactar negativamente a produtividade e a saúde financeira das empresas, especialmente as de menor porte.

Na prática, os efeitos podem se refletir tanto no setor produtivo quanto na população. Entre os riscos identificados estão o aumento de preços, a redução de contratações, cortes de gastos e investimentos, além da ampliação da informalidade. A criação de novos empregos, por sua vez, dependeria de um ambiente econômico favorável e da manutenção dos níveis de produção.

A cartilha também destaca que, embora a redução da jornada com a manutenção dos salários seja um desejo legítimo, a produtividade no Brasil ainda é considerada baixa para viabilizar essa mudança. O progresso nessa área exigirá investimentos em tecnologia, qualificação profissional e ganhos de eficiência. Alterações abruptas, segundo a avaliação do Sistema Fiergs, podem pressionar os custos e colocar os empregos em risco.

Estudo nacional

Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou esse cenário. De acordo com o estudo, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode resultar em um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. Os dados indicam uma pressão generalizada sobre diversos segmentos.

As compras em supermercados podem ter um acréscimo de 5,7%, com alta de cerca de 4% nos produtos agropecuários e de 6% nos industrializados. No que diz respeito a roupas e calçados, a elevação pode chegar a 6,6%. Já no setor de serviços, os preços podem subir até 6,5%, afetando atividades como manicure, cabeleireiro e pintura residencial. A fatura de internet pode registrar um aumento ainda mais expressivo, de até 7,2%.

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