Março travado na soja revela impasse entre produtores e compradores e restringe negócios
Mercado de soja no Brasil enfrenta dificuldades em março com pouca liquidez e oscilações de preços.
O mercado brasileiro de soja enfrentou um mês de março caracterizado por baixa liquidez, poucos negócios e pequenas oscilações nos preços.
A discrepância entre os valores solicitados pelos produtores e os ofertados pelos compradores resultou em uma comercialização travada ao longo do período.
No balanço do mês, os preços permaneceram praticamente estáveis no Brasil, refletindo um cenário externo com leve alta em Chicago e um dólar ainda elevado, na faixa de R$ 5,20.
Nas principais praças, as variações de preços foram limitadas. A saca de 60 quilos encerrou março cotada a R$ 124,00, o mesmo patamar do início do mês. Em Cascavel (PR), houve uma leve alta, de R$ 118,00 para R$ 119,00. Em Rondonópolis (MT), as cotações oscilaram em torno de R$ 108,00. No Porto de Paranaguá (PR), os preços ficaram próximos de R$ 129,00 durante o período.
Internacionalmente, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago apresentaram uma leve valorização. O contrato de maio, o mais negociado, subiu 0,2% no mês, acumulando uma alta de 10,36% no trimestre. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela alta dos preços do petróleo, em meio a tensões no Oriente Médio, e pela expectativa de um possível acordo comercial entre China e Estados Unidos envolvendo a compra de soja.
Apesar da valorização, o movimento surpreende considerando os fundamentos do mercado. Brasil e Argentina estão se aproximando do fim da colheita de grandes safras, o que deve aumentar a oferta global. Além disso, os Estados Unidos planejam expandir a área plantada na temporada de 2026.
De acordo com estimativas, a área deve alcançar 84,7 milhões de acres, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. No entanto, esse número ficou abaixo das expectativas do mercado e das projeções anteriores do próprio órgão responsável.
Outro fator pressionando o mercado são os estoques. Os estoques trimestrais de soja nos Estados Unidos, na posição de 1º de março, somaram 2,10 bilhões de bushels, uma alta de 10% em comparação anual e acima das expectativas do mercado. O volume elevado reforça a percepção de uma oferta confortável, mesmo diante das recentes altas nos preços internacionais.
