China desenvolve aquicultura em desertos e produz toneladas de peixes

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China transforma deserto em fonte de produção de peixes com técnicas inovadoras.

Durante mais de 1.500 anos, mercadores da Rota da Seda enfrentaram desafios imensos em suas jornadas, mas um lugar sempre foi temido: o deserto de Taklamakán, na China. Este deserto, cujo nome significa “abandonar”, é o segundo maior do mundo, caracterizado por suas dunas móveis que consomem tudo ao redor.

Historicamente, o Taklamakán foi um verdadeiro pesadelo. No entanto, atualmente, a China está inovando ao cultivar peixes em suas areias. Utilizando água salino-alcalina, tanques revestidos e técnicas de recirculação, os produtores estão transformando o que antes era um deserto inóspito em um ambiente propício para a aquicultura.

Embora a abordagem não seja totalmente nova, os métodos empregados estão sendo levados a um novo patamar. Em 2024, a produção aquícola na região de Xinjiang alcançou impressionantes 196.500 toneladas.

Esse crescimento no setor de “frutos do mar do deserto” levanta questões sobre a viabilidade do uso de recursos hídricos e energia, além da escalabilidade do modelo. Os tanques monitorados são uma solução eficaz para lidar com a baixa precipitação, que é inferior a 100 mm anuais, e a alta taxa de evaporação, além de solos salinizados. Espécies como garoupas, tainhas, camarões, ostras e mexilhões perlíferos estão atingindo tamanhos comerciais com taxas de sobrevivência que chegam a 99%.

O projeto, no entanto, visa algo ainda mais ambicioso: a criação de um mar artificial no deserto. A ideia é utilizar a água de lagos salinos e solos salino-alcalinos para simular condições marinhas, com sistemas de circulação e cultivo de microrganismos, permitindo o cultivo de espécies que normalmente habitam o mar.

Essa possibilidade é real, uma vez que a tecnologia atual permite tal empreendimento. Em um mundo onde a aquicultura já supera a pesca extrativa em volume, a questão que se coloca é se esse modelo é escalável sem intensificar as tensões pelo uso da água em uma região árida e dependente do degelo.

O surgimento de toneladas de peixes em um deserto provoca reflexões sobre o futuro da pesca comercial. Estaria este fenômeno sinalizando o início do fim dessa atividade tradicional?

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